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Dia do Ciclista: mais bicicletas nas ruas exigem atenção à saúde e segurança

No Espírito Santo, hospitalizações de ciclistas cresceram 51,5% em um ano; ortopedistas alertam para lesões que podem comprometer coluna, ombros, joelhos e cotovelos

O uso da bicicleta vem ganhando cada vez mais espaço nas cidades, principalmente depois do ‘boom’ das bikes elétricas que dominam a rotina dos brasileiros, seja como meio de transporte, alternativa de mobilidade, atividade física ou lazer.

Segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), entre julho de 2024 e julho de 2025 foram implementados 4.266 km de novas vias cicláveis nas principais cidades do país, um crescimento de 5% na malha existente. Às vésperas do Dia do Ciclista, celebrado no próximo dia 19, este seria um motivo de comemoração, mas outros dados têm chamado atenção: os acidentes envolvendo quem pedala.

Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), as internações de ciclistas no Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo passaram de 373, em 2024, para 565, em 2025, um aumento de 51,5%. No mesmo período, considerando todos os acidentes de transporte terrestre, o Estado registrou 15.711 internações, alta de 12,1%.

O cenário também preocupa quando são observados os casos fatais. No primeiro semestre de 2025, o Espírito Santo registrou 26 mortes de ciclistas, contra 19 no mesmo período de 2024, um crescimento de 36,8%. Em todo o ano de 2024, foram 38 mortes de ciclistas no Estado, segundo dados do Anuário de Segurança Pública.

Para o ortopedista e cirurgião da coluna Dr. Amauri Chaves Filhos, do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT), o problema não está apenas na gravidade dos acidentes mais violentos. Mesmo uma queda aparentemente simples pode provocar lesões importantes, principalmente quando há impacto direto ou o ciclista tenta se proteger com o próprio corpo.

“Em uma queda de bicicleta, a pessoa geralmente tenta proteger a cabeça e o tronco, usando os braços como apoio. Esse movimento pode concentrar muita força nos ombros, cotovelos, punhos e provocar impactos na coluna. Dependendo da velocidade e da forma como ocorre a queda, podemos ter desde lesões musculares até fraturas e traumas mais graves”, explica.

O médico destaca ainda que os impactos na coluna merecem atenção especial. “Uma queda não precisa necessariamente causar uma fratura para provocar uma lesão importante. Traumas podem atingir músculos, ligamentos e estruturas da coluna e provocar dor persistente e limitação de movimentos. Por isso, depois de um acidente, especialmente quando há dor intensa, formigamento, perda de força ou dificuldade para se movimentar, é importante procurar avaliação médica”, orienta.

Ombros e joelhos estão entre as regiões mais expostas

As extremidades também estão entre as partes do corpo mais vulneráveis durante uma queda. O ortopedista Dr. George Alfred Delatorre, especialista em cirurgia do ombro, cotovelo e joelho do ISMOT, explica que a dinâmica do acidente pode determinar o tipo de lesão.

“O ciclista está muito exposto durante uma queda. O ombro pode sofrer um impacto direto contra o chão, assim como o joelho. Em acidentes com maior impacto, podem ocorrer fraturas e lesões de ligamentos. São regiões fundamentais para a mobilidade e, por isso, uma lesão aparentemente pequena pode comprometer atividades simples do dia a dia”, afirma.

Segundo ele, outro erro comum é minimizar a dor depois de uma queda. “Às vezes, a adrenalina do momento faz com que a pessoa continue pedalando ou volte para casa acreditando que foi apenas uma pancada. Mas alguns sintomas podem aparecer ou se intensificar horas depois. Dor persistente, inchaço, dificuldade para movimentar uma articulação ou perda de força são sinais que merecem avaliação”, alerta.

Coluna também pode sofrer com impactos

O ortopedista e cirurgião da coluna Dr. José Lucas Batista Júnior, do ISMOT, chama atenção para outro aspecto: além dos acidentes envolvendo veículos, o próprio deslocamento diário de bicicleta pode exigir atenção à postura e à preparação física.

“A bicicleta é uma excelente forma de atividade física e mobilidade, mas o corpo precisa estar preparado para esse esforço. Uma postura inadequada, falta de condicionamento ou excesso de carga podem favorecer dores musculoesqueléticas. Quando falamos de acidentes, entretanto, o cuidado deve ser ainda maior, porque o impacto pode gerar um trauma que não é imediatamente percebido”, explica.

Para o médico, a prevenção passa também pela convivência segura no trânsito. “O ciclista precisa estar atento, mas a segurança também depende de um ambiente viário que permita a convivência entre carros, motocicletas, bicicletas e pedestres. Quanto maior a exposição do ciclista ao trânsito, maior a importância de medidas que reduzam a possibilidade de colisões e quedas”, afirma.

Acidentes vão além dos números

O cenário reforça a necessidade de discutir a bicicleta não apenas como instrumento de lazer ou esporte, mas como parte da mobilidade urbana. Para os especialistas, incentivar seu uso precisa vir acompanhado de medidas de segurança e de conscientização sobre os riscos dos acidentes.

“Pedalar traz inúmeros benefícios, mas não significa que seja uma atividade sem riscos. Equipamentos adequados como o capacete e respeito às regras de circulação são importantes. E, diante de um acidente, não se deve subestimar uma dor ou limitação que persista”, finaliza Dr. Amauri.

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