Cidade Geral Saúde

Anvisa proíbe substância em xaropes para tosse por risco cardíaco

Clobutinol é associado a arritmias graves e especialistas alertam para uso seguro de medicamentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão total de medicamentos que contenham a substância clobutinol no Brasil. A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (27) e passa a valer imediatamente, proibindo a fabricação, importação, comercialização, propaganda e uso desses produtos em todo o país.

O clobutinol é um princípio ativo utilizado principalmente em xaropes para tosse e foi associado a alterações na atividade elétrica do coração, conhecidas como prolongamento do intervalo QT, que podem desencadear arritmias graves, com risco de desmaios e até morte súbita.

Referência em cardiologia no Espírito Santo, o Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) reforça o alerta para os riscos envolvidos. Para o cardiologista Dr. Diogo Barreto, coordenador do serviço de cardiologia da instituição, a decisão é necessária diante dos potenciais efeitos da substância. “O prolongamento do intervalo QT é uma alteração que pode levar a arritmias potencialmente fatais. Muitas vezes, o paciente não apresenta sintomas prévios, o que torna esse risco ainda mais preocupante”, explica.

De acordo com a Anvisa, a decisão foi baseada em análises de farmacovigilância que apontaram um risco relevante à saúde, superando os possíveis benefícios terapêuticos da substância. Diante disso, a recomendação é pela retirada completa do produto do mercado.

A orientação é que pacientes que utilizavam medicamentos com clobutinol interrompam o uso e procurem orientação médica para substituição por alternativas seguras. A medida vale para todos os produtos que contenham o princípio ativo, independentemente do fabricante.

O especialista também chama atenção para os cuidados com a automedicação. “Mesmo medicamentos considerados simples, como xaropes para tosse, podem oferecer riscos. O ideal é sempre buscar orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento, garantindo segurança e eficácia”, orienta.

Leia também