Geral

Manguezais do ES ganham iniciativa de preservação

Projeto une ciência, cultura e educação ambiental para valorizar os manguezais do Espírito Santo

Os manguezais do Espírito Santo ganharam um novo aliado na preservação e valorização desse ecossistema essencial para a biodiversidade e para as comunidades tradicionais. O Instituto Últimos Refúgios, em parceria com o Governo do Estado, lançou o projeto “Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas”, iniciativa que pretende ampliar o conhecimento sobre a importância ecológica, cultural e social dessas áreas ao longo do litoral capixaba.

Caracterizados como ecossistemas de transição entre os ambientes terrestre e marinho, os manguezais abrigam uma rica diversidade de espécies e desempenham papel fundamental na manutenção do equilíbrio ambiental. Apesar da relevância, ainda enfrentam ameaças provocadas pela ação humana e pela falta de conhecimento sobre sua importância.

De acordo com o fundador do Instituto Últimos Refúgios, fotógrafo de natureza e mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, Leonardo Merçon, a proposta é combinar pesquisa científica, produção cultural e ações educativas para aproximar a população desse patrimônio natural.

“Os manguezais estão presentes em toda a costa capixaba e funcionam como berçário para inúmeras espécies. Também são fundamentais para a subsistência de comunidades tradicionais, além de influenciarem a cultura e o turismo local. No entanto, ainda são pouco compreendidos e necessitam de maior valorização”, destaca Merçon, coordenador-geral do projeto.

Com duração prevista de dois anos, a iniciativa contempla expedições em 13 municípios do Espírito Santo, incluindo levantamentos de biodiversidade, pesquisas sociais, produção de imagens, encontros com moradores e atividades de educação ambiental e ciência cidadã.

Segundo Leonardo Merçon, a proposta é construir um retrato colaborativo dos manguezais capixabas. “Queremos registrar a beleza das paisagens e das espécies, mas também compreender como as comunidades enxergam esse ambiente e quais são seus anseios. A intenção é que esse trabalho reflita a visão de quem convive diariamente com os manguezais”, afirma.

Aracruz abre roteiro das expedições

O município de Aracruz foi o primeiro a receber a equipe do projeto. A escolha se deve à presença de importantes áreas de manguezal e às experiências já desenvolvidas em parceria entre comunidade e poder público voltadas à conservação ambiental.

Durante a visita, os pesquisadores realizaram o mapeamento inicial das áreas e iniciaram os primeiros registros fotográficos e o diálogo com moradores. O objetivo é identificar histórias, espécies e paisagens consideradas mais representativas para as comunidades locais.

Cultura, pesquisa e preservação

Além da produção de estudos científicos, o projeto prevê a criação de um livro, exposição fotográfica, série audiovisual e materiais gráficos voltados à divulgação e sensibilização da sociedade sobre a importância dos manguezais.

A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto Últimos Refúgios em conjunto com o Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais do Espírito Santo (Fundágua), administrado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama). Também conta com o apoio do Grupo Águia Branca, Prefeitura de Aracruz, Sesc Aracruz e Instituto Marcos Daniel (IMD), por meio do Projeto Caiman.

Os organizadores informam que o projeto permanece aberto à adesão de novos parceiros em municípios litorâneos com presença de manguezais, fortalecendo uma rede colaborativa voltada à conservação desse importante patrimônio natural capixaba.

Leia também