ERP vive boom no Brasil e entra na era da inteligência artificial
Os sistemas de gestão empresarial (ERP) estão assumindo um papel cada vez mais estratégico nas empresas brasileiras. Com mais de 33% das organizações planejando investir ou substituir suas plataformas até 2026, o mercado de softwares de gestão vive um período de forte expansão e modernização no país.
O movimento é impulsionado pela busca por maior eficiência operacional, conformidade com a complexa legislação tributária brasileira e pela necessidade de decisões mais rápidas e assertivas. Nesse cenário, os ERPs deixaram de ser apenas ferramentas administrativas para se tornarem protagonistas da transformação digital nas organizações.
De acordo com Rodrigo Maxwel, CEO da Mitis, empresa com 18 anos de atuação e presença no Brasil e nos Estados Unidos, a evolução do setor representa uma mudança estrutural na forma como as empresas administram seus negócios.
“O ERP deixou de ser apenas um sistema operacional para se tornar o verdadeiro cérebro digital das organizações, integrando dados, automatizando processos e apoiando decisões em tempo real”, afirma.
Entre as principais tendências para 2026 está a chamada “Agentic AI”, uma nova geração de inteligência artificial capaz de atuar de forma autônoma dentro dos sistemas. Na prática, a tecnologia permite que o ERP vá além das recomendações e execute tarefas automaticamente, como reposição de estoque, ajustes operacionais e outras atividades rotineiras.
Outro avanço é o modelo conhecido como “composable”, que substitui as plataformas monolíticas por sistemas modulares. Com isso, as empresas podem escolher funcionalidades específicas, como financeiro, recursos humanos e logística, de acordo com suas necessidades, ganhando mais flexibilidade e capacidade de adaptação.
A computação em nuvem também se consolida como padrão no mercado brasileiro. Atualmente, cerca de 77% das empresas do país já utilizam soluções em cloud, e a discussão passou a se concentrar em estratégias de implementação, como a adoção de nuvens públicas ou privadas, visando redução de custos e inovação contínua.
A hiperautomação, que combina inteligência artificial com automação robótica de processos (RPA), surge como outra tendência relevante. A tecnologia permite automatizar tarefas complexas, reduzir falhas operacionais e minimizar retrabalho, aumentando a produtividade das organizações.
Segundo Rodrigo Maxwel, o momento é ainda mais significativo porque aproximadamente 72% dos sistemas ERP em operação no Brasil foram implementados antes de 2017, o que evidencia uma forte demanda por atualização e migração para plataformas mais modernas e baseadas em nuvem.
“Fatores como a complexidade do sistema tributário brasileiro, a busca por eficiência operacional e as exigências relacionadas às práticas ESG têm acelerado esse movimento. As empresas precisam de sistemas preparados para mudanças constantes, com inteligência embarcada e capacidade de adaptação rápida às novas demandas do mercado”, destaca.
A relevância do setor também se reflete em eventos especializados, como o ERP Summit 2026, que reforçam a importância estratégica dos sistemas de gestão como elemento central da transformação digital e da competitividade das empresas.
Com a incorporação crescente da inteligência artificial e a modernização das plataformas, os ERPs entram em uma nova era, deixando de ser apenas ferramentas de controle para se consolidarem como centros inteligentes de gestão e inovação nos negócios.