Cidade Geral Saúde

Fumar apenas nos fins de semana também ameaça os pulmões, alerta especialista

Consumo ocasional cria falsa sensação de segurança e pode favorecer a dependência de nicotina

O cigarro aparece na roda de amigos, acompanha a bebida e desaparece da rotina durante a semana. Por não fumar diariamente, muitas pessoas sequer se consideram fumantes. No entanto, o consumo ocasional também expõe o organismo à nicotina, ao monóxido de carbono e a outras substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro.

Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Jéssica Polese chama atenção para a falsa sensação de segurança associada ao chamado “fumante social”. Segundo a médica, reduzir a frequência não significa eliminar os riscos.

“Fumar menos reduz a carga total de exposição em comparação com um consumo intenso, mas não elimina os riscos. O organismo não fica protegido porque a pessoa fuma apenas em festas ou nos fins de semana”, explica.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, que acompanhou mais de 25 mil participantes, apontou que o consumo de menos de cinco cigarros por dia esteve associado a uma perda de função pulmonar equivalente a cerca de dois terços daquela observada entre pessoas que fumavam 30 ou mais cigarros diariamente.

De acordo com Jéssica, os danos provocados pelo cigarro podem evoluir sem sintomas evidentes durante algum tempo. Isso acontece porque o pulmão possui uma reserva funcional capaz de mascarar alterações iniciais.

Por isso, sinais como tosse frequente, pigarro ao acordar, chiado no peito, redução do rendimento físico e falta de ar não devem ser considerados consequências normais do hábito de fumar.

Outro ponto de atenção é o risco de dependência. Mesmo quem consegue passar vários dias sem colocar um cigarro na boca pode desenvolver uma relação de dependência com a nicotina.

“O fumante social também pode desenvolver dependência. A nicotina passa a ser associada à bebida, ao encontro com amigos ou a momentos de estresse, e a frequência pode aumentar sem que a pessoa perceba. Conseguir passar alguns dias sem fumar não significa que não exista dependência”, alerta a especialista.

A médica ressalta que abandonar completamente o cigarro proporciona benefícios à saúde independentemente da idade e do tempo de consumo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o organismo começa a apresentar mudanças positivas pouco tempo depois do último cigarro. Entre duas e 12 semanas após a interrupção, a circulação e a função pulmonar começam a melhorar. Nos meses seguintes, sintomas como tosse e falta de ar podem diminuir.

Para Jéssica, o tratamento da dependência não deve ser reduzido à força de vontade.

“Parar de fumar não deve ser tratado apenas como uma questão de força de vontade. A dependência de nicotina é uma condição de saúde e pode exigir acompanhamento, mudança de hábitos e, em alguns casos, medicação”, afirma.

O tratamento para quem deseja abandonar o cigarro é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode ser procurado nas unidades básicas de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o organismo começa a se recuperar progressivamente após a interrupção do tabagismo:

  • Em 20 minutos: frequência cardíaca e pressão arterial começam a diminuir.
  • Em 12 horas: o nível de monóxido de carbono no sangue retorna ao normal.
  • Entre duas e 12 semanas: circulação e função pulmonar apresentam melhora.
  • Entre um e nove meses: tosse e falta de ar tendem a diminuir.
  • Após um ano: o risco de doença coronariana cai para cerca da metade do registrado entre fumantes.

A principal recomendação dos especialistas é não considerar o chamado “cigarro social” uma alternativa segura ao tabagismo diário. Para os pulmões, não existe uma frequência de consumo de cigarro que possa ser considerada livre de riscos.

Leia também