Representantes dos três maiores produtores mundiais debateram rastreabilidade, sustentabilidade, tecnologia e os novos desafios do mercado durante o Vitória Coffee Summit 2026
Um encontro inédito entre representantes de Brasil, Vietnã e Colômbia marcou o segundo dia do Vitória Coffee Summit 2026, realizado na sexta-feira (21), no Cais das Artes, em Vitória. Reunindo três dos principais protagonistas da produção mundial de café, o debate colocou em pauta os desafios e as transformações que influenciaram o futuro do setor.
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Sob o tema “Os gigantes do café: Brasil, Vietnã e Colômbia em um encontro histórico”, a discussão abordou questões como rastreabilidade, sustentabilidade, tecnologia, governança e comunicação. Os três países, que ocupavam posições de destaque na produção mundial, também enfrentavam desafios semelhantes diante das novas exigências dos mercados consumidores, que passaram a demandar cada vez mais informações sobre a origem e as condições de produção do café.
Promovido pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o evento celebrou os 80 anos da entidade e reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir as perspectivas da cafeicultura.
O painel foi mediado por Fabrício Tristão, presidente do CCCV, e contou com a participação de Thai Nhu Hiep, vice-presidente da Associação Vietnamita de Café e Cacau (VICOFA); Marcio Ferreira, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé); e Francisco Gómez, da Colcafé e da Associação Nacional de Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport).
Durante o encontro, Thai Nhu Hiep afirmou que as novas exigências internacionais para a comercialização do café representavam mais do que uma obrigação para produtores e exportadores. Na avaliação do representante vietnamita, elas faziam parte de uma transformação estrutural do setor, que precisava migrar de um modelo baseado principalmente em volume para uma atuação cada vez mais orientada por dados.
A rastreabilidade foi apontada como um dos principais instrumentos dessa mudança. O processo permitia acompanhar e comprovar a origem do café desde a propriedade rural até sua comercialização, envolvendo diferentes etapas da cadeia produtiva.
“Rastreabilidade não é simplesmente um sistema de software. Governança e responsabilidade são de toda uma cadeia de valor”, afirmou Thai.
Segundo ele, produtores, empresas, associações e governos precisavam trabalhar de maneira integrada para que os sistemas de rastreabilidade fossem efetivos.
“Nenhuma empresa consegue construir sozinha um sistema de rastreabilidade. Mas os governos também não. Precisa ser algo conjunto”, defendeu.
Representando o Brasil, Marcio Ferreira destacou o compromisso do setor nacional com a rastreabilidade e a sustentabilidade. Para ele, as novas regulamentações internacionais precisavam ser encaradas também como uma oportunidade de aprimoramento da cadeia produtiva.
Ferreira ressaltou que produtores e empresas teriam de se adaptar às novas regras para garantir a permanência do café brasileiro nos principais mercados consumidores.
O representante do Cecafé também defendeu uma maior troca de experiências e tecnologias entre os países produtores. Segundo ele, a cooperação poderia ampliar o acesso dos produtores a dados, ferramentas e conhecimento.
A proposta era fazer com que os países produtores não apenas respondessem às exigências dos mercados, mas também participassem da construção dos padrões que orientariam o comércio internacional de café.
Francisco Gómez apresentou iniciativas desenvolvidas pela Colômbia para ampliar a rastreabilidade e o controle sobre a produção. De acordo com o representante, o país produzia cerca de 13 milhões de sacas de café e possuía mais de 500 mil famílias ligadas à atividade.
Entre as ferramentas utilizadas estava um sistema de geolocalização que permitia identificar as propriedades produtoras de café no território colombiano.
Gómez também destacou os avanços relacionados à sustentabilidade e à preservação ambiental.
“Nos últimos relatórios para a União Europeia, a Colômbia, na produção de café, está 90% livre de desmatamento. Estamos buscando cada vez mais a regulamentação. Precisamos de mais clareza, governança e comunicação para todos”, afirmou.
Ao longo do painel, os participantes convergiram sobre a necessidade de ampliar a cooperação entre os países produtores. Apesar das diferenças entre os sistemas produtivos e as características de cada mercado, Brasil, Vietnã e Colômbia enfrentavam desafios semelhantes diante das transformações no comércio internacional.
Para os representantes, o compartilhamento de experiências poderia contribuir para o desenvolvimento de soluções comuns e fortalecer a posição dos países produtores nas discussões globais sobre o futuro do café.
O encontro também reforçou a importância de aproximar tecnologia, sustentabilidade e governança da realidade dos produtores, criando condições para que as novas exigências fossem incorporadas à cadeia de maneira estruturada.
Realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória, o Vitória Coffee Summit 2026 reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir os principais movimentos e perspectivas do mercado de café.
A edição marcou os 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), uma das instituições de referência da cafeicultura brasileira. A programação analisou o cenário do setor e as tendências que deveriam influenciar o mercado nos próximos anos.
O evento teve patrocínio master do Sicoob e patrocínio de JDE, ES Gás, Via Ford, Bergi Advocacia, Grupo Tristão, Imetame Logística, Login, Nicchio Café Exportação e Importação, Nicchio Sobrinho Café, Nicoli, Pole Coffee Exportação e Importação, TPJ, Unicafé, Volcafé, SafraLab e Nicoli. A iniciativa contou ainda com apoio institucional do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e realização do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).