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ARTIGO – O barato que sai caro para empresas capixabas

Na hora de contratar um contador, comparar preços é natural. O problema começa quando o valor dos honorários se torna o único critério para uma decisão que envolve impostos, patrimônio, funcionários e até a continuidade de uma empresa.

No Espírito Santo, essa discussão ganha dimensão ainda maior. O estado chegou a maio de 2026 com mais de 590 mil empresas ativas, segundo dados do Observatório do Sebrae. Por trás de cada CNPJ existe alguém tomando decisões que podem determinar se aquele negócio vai crescer ou apenas sobreviver.

É nesse cenário que precisamos abandonar uma ideia antiga: a de que contador serve apenas para calcular impostos e enviar guias.

A contabilidade bem executada permite entender custos, acompanhar resultados, avaliar o regime tributário, organizar informações e antecipar riscos. Um bom profissional não aparece somente quando existe um problema. Ele ajuda a evitar que o problema aconteça.

E erros custam dinheiro.

Desde janeiro de 2026, por exemplo, as regras do Simples Nacional ficaram mais rigorosas em relação a atrasos de determinadas obrigações. No PGDAS-D, a multa passou a incidir a partir do dia seguinte ao fim do prazo de entrega. Informações incorretas, omissões e outras falhas também podem gerar penalidades.

Por isso, quando uma empresa escolhe um serviço contábil exclusivamente porque custa alguns reais a menos, precisa fazer outra pergunta: o que está incluído nesse preço? Existe acompanhamento? O empresário consegue conversar com o profissional? Há orientação antes das decisões? O enquadramento tributário é revisto? Os números são utilizados para ajudar na gestão ou apenas para cumprir obrigações?

Preço e valor são coisas diferentes.

Isso não significa que o serviço mais caro será necessariamente o melhor. Significa que contabilidade não deve ser escolhida como uma mercadoria em que basta comparar duas etiquetas.

Para os pequenos e médios negócios capixabas, que representam parcela expressiva do nosso ambiente empresarial, uma decisão tributária equivocada ou uma obrigação ignorada pode comprometer um caixa que já opera com margens apertadas.

O empresário deve saber quanto paga ao contador. Mas também precisa entender quanto uma contabilidade eficiente pode ajudá-lo a economizar, organizar e proteger.

No fim das contas, o honorário que parece barato deixa de ser vantagem quando vem acompanhado de multas, impostos pagos de forma inadequada, ausência de planejamento ou decisões tomadas sem informação.

Economizar é importante para qualquer empresa. Só não podemos confundir economia com escolher aquilo que custa menos.

Porque, na contabilidade, o verdadeiro preço de um serviço ruim muitas vezes só aparece quando o problema já chegou.

Alidia Boneli é contadora e advogada, com atuação voltada à organização, segurança e soluções contábeis para pequenas e médias empresas

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