Estado aparece entre as unidades da Federação onde a disputa pelo governo pode ser encerrada já na primeira votação; pesquisa aponta Ricardo Ferraço na liderança
O Espírito Santo entrou no radar das eleições estaduais com a possibilidade de uma definição para o governo já no primeiro turno. Um levantamento divulgado pela revista VEJA mostra que uma parcela significativa do eleitorado brasileiro poderá conhecer os governadores eleitos sem a necessidade de uma segunda votação.
De acordo com a análise, 57,6% dos eleitores do país estão em estados onde o cenário atual das pesquisas indica possibilidade de vitória no primeiro turno. O percentual representa um crescimento expressivo em relação a 2022, quando 33,9% do eleitorado estava em estados com essa perspectiva.
O Espírito Santo aparece nesse grupo ao lado de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Santa Catarina, Goiás, Piauí, Mato Grosso do Sul e Amapá.
No cenário capixaba, um dos fatores que sustentam a possibilidade de uma decisão antecipada é a vantagem apresentada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) nas pesquisas de intenção de voto.
Pesquisa Real Time Big Data divulgada em julho mostra Ferraço com 41% das intenções de voto. Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece em segundo lugar, com 30%, enquanto Helder Salomão (PT) registra 10%.
Os três nomes concentram 81% das preferências apresentadas pelos entrevistados. Em uma divisão apenas entre esses candidatos, o percentual de Ferraço ultrapassaria a metade das intenções, chegando a 50,6%.
A conta, no entanto, não equivale ao resultado eleitoral. Para a definição em primeiro turno, são considerados os votos válidos, sem a inclusão de votos brancos e nulos, além de ser necessário aguardar o comportamento do eleitorado até a votação.
O levantamento também testou diferentes composições de candidatos. Em todos os cenários apresentados, Ricardo Ferraço aparece na liderança. Na simulação com maior número de concorrentes, o governador registra 29%.
A pesquisa também mediu a avaliação do governo estadual. O resultado mostra uma aprovação de 76% entre os entrevistados, enquanto 18% afirmaram desaprovar a administração.
Na avaliação qualitativa, 47% dos participantes classificaram o governo como ótimo ou bom.
Os números colocam a avaliação da gestão como um dos elementos que compõem o cenário eleitoral no Espírito Santo, embora a pesquisa represente apenas um retrato do momento e não determine o resultado das urnas.
A possibilidade de um número maior de eleições estaduais ser definido no primeiro turno também produz reflexos sobre a corrida presidencial.
A análise da VEJA considera que, nos estados onde a disputa pelo governo terminar em outubro, os partidos e candidatos à Presidência terão de disputar diretamente a atenção dos eleitores na segunda etapa da eleição nacional.
Com isso, os estados que tiverem segundo turno para governador poderão ganhar peso adicional na estratégia das campanhas presidenciais, enquanto aqueles com definição antecipada terão uma disputa concentrada exclusivamente na Presidência.
O levantamento do Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre os dias 20 e 21 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo ES-04482/2026.
O cenário, portanto, aponta para uma eleição estadual que pode ganhar contornos mais definidos ainda no primeiro turno, mas a disputa permanece aberta e sujeita às mudanças provocadas pela campanha, pela movimentação dos candidatos e pelo comportamento do eleitorado até o dia da votação.