Cidade Saúde

Menopausa e andropausa afetam os cabelos

Alterações hormonais do envelhecimento podem interferir no ciclo de crescimento dos fios e exigem investigação para identificar a causa da perda capilar

As mudanças hormonais que acompanham o envelhecimento não afetam apenas o humor, o metabolismo e a disposição. Em homens e mulheres, a redução dos hormônios sexuais também pode provocar alterações na saúde dos cabelos, contribuindo para a queda, o afinamento dos fios e, em pessoas geneticamente predispostas, para o desenvolvimento da calvície.

Segundo a médica Renata Melo, referência em tratamentos capilares clínicos, é comum que a queda de cabelo seja associada exclusivamente ao estresse ou à genética. No entanto, as alterações hormonais também podem desempenhar um papel importante nesse processo.

“A menopausa e a andropausa representam períodos de intensa adaptação hormonal. Essas mudanças podem alterar o ciclo de crescimento dos fios, reduzindo sua espessura e aumentando a queda. É comum que pacientes procurem atendimento acreditando ser apenas uma questão estética, mas muitas vezes existe um componente hormonal que precisa ser investigado”, explica.

Durante a menopausa, a redução na produção de estrogênio e progesterona pode diminuir parte da proteção natural dos fios contra a ação dos andrógenos, hormônios relacionados à miniaturização dos folículos capilares. Como consequência, os cabelos podem ficar mais finos, quebradiços e apresentar menor densidade, especialmente na região central do couro cabeludo.

Na andropausa, marcada pela redução gradual dos níveis de testosterona, o processo apresenta características diferentes. Apesar da diminuição da testosterona, a predisposição genética para a alopecia androgenética continua sendo um fator determinante.

Isso ocorre porque a ação da di-hidrotestosterona (DHT), um derivado da testosterona, permanece relacionada à miniaturização dos folículos capilares em homens geneticamente predispostos à calvície.

Embora os dois problemas possam aparecer simultaneamente, queda de cabelo e calvície são condições diferentes. A queda capilar pode ser temporária e estar relacionada a diversos fatores, como deficiência de vitaminas e nutrientes, alterações na tireoide, uso de determinados medicamentos, estresse físico ou emocional e mudanças hormonais.

Já a calvície, também conhecida como alopecia androgenética, é uma condição progressiva, influenciada principalmente pela genética e pela ação hormonal sobre os folículos capilares.

Nas mulheres, a calvície costuma se tornar mais evidente após a menopausa, com redução do volume dos cabelos e aumento da abertura da risca central. Nos homens, os sinais mais comuns são o avanço das entradas e a perda de fios na região do topo da cabeça.

Para Renata Melo, identificar o problema precocemente pode fazer diferença na evolução do quadro.

“Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a evolução da calvície. Hoje dispomos de tratamentos capazes de retardar a miniaturização dos fios e estimular o crescimento capilar, mas o sucesso depende de uma avaliação individualizada”, ressalta

A escolha do tratamento depende da causa da queda e do estágio da perda capilar. Em determinadas situações, o acompanhamento das alterações hormonais pode ser associado a terapias específicas voltadas à saúde do couro cabeludo e ao estímulo dos folículos.

Entre as possibilidades utilizadas na medicina capilar estão medicamentos tópicos e orais, laserterapia de baixa potência, microinfusão de medicamentos (MMP), drug delivery, exossomos e outras terapias regenerativas.

A tendência da tricologia moderna, segundo a médica, é combinar diferentes estratégias de acordo com as características de cada paciente.

“Não existe um tratamento único para todos os pacientes. A medicina capilar evoluiu muito e hoje conseguimos montar protocolos personalizados, associando tecnologias regenerativas e estímulos biológicos conforme a necessidade de cada couro cabeludo”, pondera.

Além dos tratamentos médicos, hábitos saudáveis também podem contribuir para a manutenção da saúde dos cabelos. Uma alimentação equilibrada, sono adequado, controle do estresse, prática regular de atividade física e acompanhamento de possíveis deficiências nutricionais são medidas que ajudam a preservar o ciclo normal de crescimento dos fios.

A perda de cabelo durante a menopausa ou a andropausa, portanto, não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. Ao perceber uma queda persistente ou mudanças na espessura e no volume dos cabelos, a recomendação é buscar avaliação médica para identificar a causa.

O diagnóstico precoce pode permitir o início do tratamento adequado antes que a perda capilar avance.

“Envelhecer faz parte da vida, mas perder qualidade capilar não precisa ser encarado como algo sem solução. Hoje conseguimos atuar tanto na prevenção quanto no tratamento da queda, preservando a saúde dos fios e a autoestima dos pacientes”, finaliza Renata Melo.

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