Escola de Viana transforma leitura em corrida lúdica para acelerar fluência dos alunos
Projeto “Lendo, Viajando e Conquistando”, da EMEF Alvimar Silva, une gamificação, participação das famílias e atividades lúdicas para estimular estudantes do 1º ao 5º ano
Aprender a ler pode ser uma aventura. É com essa proposta que a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Alvimar Silva, em Ipanema, criou o projeto “Lendo, Viajando e Conquistando”, uma iniciativa que transforma o desenvolvimento da fluência leitora em uma experiência lúdica e cheia de desafios para os estudantes do 1º ao 5º ano.
Na escola, corredores ganharam ares de pista de corrida. Antes de chegar à sala de leitura, os alunos percorrem o trajeto utilizando veículos elétricos infantis e bicicletas. Ao final do percurso, começa outro desafio: a leitura de textos, com o desempenho acompanhado individualmente pela equipe pedagógica.
A proposta busca tornar o processo de aprendizagem mais atrativo para crianças que convivem diariamente com a forte presença das telas e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades identificadas pela própria escola no processo de alfabetização e desenvolvimento da leitura.
Um dos destaques do projeto é a utilização da gamificação como ferramenta pedagógica. Entre os alunos do 2º ano, por exemplo, o cumprimento das metas de fluência leitora dá direito a figurinhas que completam um álbum exclusivo, inspirado nos tradicionais álbuns de grandes competições esportivas.
O diferencial é que os cromos trazem os próprios estudantes das turmas. Assim, cada nova figurinha representa uma etapa vencida e permite que a criança visualize concretamente sua evolução.
Para o aluno Nicolas Bravim, a recompensa é um dos principais estímulos para participar da atividade.
“A parte mais legal é ganhar a figurinha”, contou.
Segundo a diretora da EMEF Alvimar Silva, Cristina Siqueira, a estratégia ajuda a transformar o desenvolvimento da leitura em uma sequência de pequenas conquistas.
“A criança consegue acompanhar concretamente sua evolução. Cada figurinha representa uma conquista e isso contribui para motivar os estudantes e despertar neles o sentimento de superação”, explica.
A dinâmica não se resume às atividades realizadas dentro da escola. O trabalho começa em casa, com a participação das famílias.
A equipe pedagógica seleciona fichas de leitura de acordo com o nível de aprendizagem de cada estudante e encaminha os materiais para serem trabalhados em casa. Dessa maneira, a criança tem a oportunidade de conhecer e praticar o texto antes da avaliação realizada na escola.
Na unidade de ensino, a pedagoga acompanha individualmente o desempenho de cada aluno. A avaliação considera aspectos como precisão, ritmo, entonação e expressividade, além da capacidade de compreender aquilo que está sendo lido.
Para Cristina Siqueira, a preparação prévia permite que os alunos tenham contato frequente com textos compatíveis com seu estágio de desenvolvimento.
“A utilização das fichas permite que cada criança tenha contato frequente com textos adequados ao seu desenvolvimento, podendo prepará-los em casa e, depois, realizar a leitura na unidade de ensino”, explica a diretora.
O uso dos veículos infantis não é apenas uma brincadeira. Para a escola, o percurso pelos corredores também possui uma função pedagógica: criar uma experiência positiva e uma memória afetiva relacionada ao ato de ler.
“O trajeto deixa de ser um simples deslocamento físico e passa a simbolizar uma viagem rumo a uma nova descoberta”, destaca Cristina.
A ideia é associar a leitura a uma experiência de prazer, curiosidade e conquista, afastando a percepção de que o momento de avaliação precisa ser necessariamente marcado por cobrança ou ansiedade.
A iniciativa foi desenvolvida depois que a equipe escolar identificou dificuldades entre estudantes dos anos iniciais em habilidades fundamentais para o processo de alfabetização, como reconhecimento de letras, formação de palavras e compreensão textual.
O diagnóstico mostrou que essas dificuldades poderiam comprometer não apenas o desempenho em Língua Portuguesa, mas também a aprendizagem de conteúdos de outras áreas do conhecimento.
Diante desse cenário, a escola estruturou uma rotina de intervenção, acompanhamento e estímulo, utilizando estratégias capazes de envolver os estudantes e tornar o processo de aprendizagem mais significativo.
A mudança na abordagem também começa a aparecer no comportamento dos alunos. A atividade passou a despertar expectativa e até uma disputa saudável entre as crianças para saber quem será o próximo estudante a participar da leitura.
Para alguns, porém, a meta já vai além das fichas. É o caso da estudante Emanuelly Justino, que já pensa em trocar os textos trabalhados no projeto pelos livros que deseja conhecer.
“Quero ler a história da Branca de Neve. É o livro que eu mais gosto, mas eu nunca li”, contou.
Ao transformar a leitura em uma jornada marcada por desafios, recompensas e descobertas, a EMEF Alvimar Silva busca fortalecer a fluência e a compreensão dos estudantes sem deixar de lado o aspecto prazeroso da aprendizagem.
A experiência mostra que, quando a educação incorpora criatividade e elementos presentes no universo infantil, a sala de aula pode se tornar também um espaço de aventura, superação e descoberta — com cada nova conquista abrindo caminho para o próximo capítulo.