PODCAST CONVERSA EKLÉTICA RECEBE EMPRESÁRIO LUIZ HENRIQUE LELLES PARA FALAR SOBRE EDUCAÇÃO HUMANIZADA NA PRIMEIRA INFÂNCIA
Educação infantil, desenvolvimento de habilidades humanas, criatividade, comunicação e os desafios impostos pelo excesso de tecnologia foram alguns dos temas abordados durante a entrevista
O Podcast Conversa Eklética recebeu o empresário e gestor educacional Luiz Henrique Lelles para uma conversa sobre os novos caminhos da educação infantil e a importância de olhar para a primeira infância de maneira mais humanizada. A entrevista foi conduzida pela jornalista e apresentadora Luciene Costa e trouxe reflexões sobre criatividade, comunicação, inteligência emocional, autonomia e o papel da família na formação das crianças.
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Empresário e integrante de uma família com longa trajetória na área da educação, Luiz Henrique contou que sua relação com o ambiente escolar começou ainda na infância. Sua família está à frente da Escola São Camilo de Lellis, instituição tradicional do Espírito Santo, com mais de cinco décadas de história.
Apesar de ter se formado em Engenharia e desenvolvido atividades empresariais em São Paulo, foi durante a pandemia, em 2020, que Luiz Henrique retornou ao Espírito Santo para assumir a direção da escola da família e passou a atuar profissionalmente no setor educacional.
A experiência despertou o interesse por conhecer diferentes modelos de ensino. Segundo ele, foram realizadas pesquisas, viagens e visitas a instituições de diferentes regiões, buscando compreender novas possibilidades para a educação. Desse processo nasceu a Escola Terracota, voltada exclusivamente para crianças de 1 a 5 anos.
Durante a entrevista, Luiz Henrique destacou que a escolha pela educação infantil está relacionada ao potencial de transformação existente nos primeiros anos de vida.
Para ele, é nessa fase que a criança apresenta maior capacidade de absorção e desenvolvimento, o que permite uma atuação mais significativa na formação de habilidades que serão importantes ao longo da vida.
O empresário também defendeu uma mudança de olhar sobre a educação tradicional. Em sua avaliação, existe uma preocupação excessiva em antecipar conteúdos e habilidades técnicas, enquanto competências humanas, como comunicação, criatividade, autonomia e inteligência emocional, ainda recebem menos espaço.
“Parar um pouco de ter pressa com habilidades técnicas e voltar o foco totalmente para as habilidades humanas”, afirmou Luiz Henrique durante a conversa.
Na proposta da Escola Terracota, o objetivo é proporcionar às crianças um ambiente no qual o aprendizado aconteça de maneira mais natural, por meio das brincadeiras, da exploração e da convivência.
A estrutura foi planejada para estimular a interação e permitir que as crianças passem menos tempo confinadas em uma sala de aula tradicional. O espaço conta com áreas como parquinho, horta, gramado, árvores, quadra, piscina, biblioteca e restaurante.
Outro ponto de destaque da entrevista foi a importância da comunicação na formação das novas gerações.
Para Luiz Henrique, saber se comunicar é uma das habilidades mais importantes para a vida pessoal e profissional. Ele criticou o fato de a educação tradicional, muitas vezes, priorizar apenas se uma resposta está certa ou errada, sem dar a mesma atenção à maneira como o aluno consegue expressar suas ideias.
A criatividade também aparece como um dos pilares da proposta pedagógica defendida pelo empresário. Segundo ele, uma das formas de estimular essa habilidade é permitir que a criança encontre soluções para problemas com menos recursos prontos, incentivando a autonomia, a investigação e a capacidade de criar.
A literatura infantil também ocupa um espaço importante nesse processo. A Escola Terracota optou por não utilizar um material didático formal tradicional na educação infantil, priorizando os livros e as histórias como ferramentas de aprendizagem.
Na avaliação de Luiz Henrique, cada história pode trazer diferentes aprendizados e, ao mesmo tempo, estimular a imaginação e a criatividade das crianças.
A influência das redes sociais e da tecnologia na infância e na adolescência também foi discutida durante o podcast.
Luiz Henrique destacou que não é contrário à tecnologia ou às redes sociais, mas defendeu que seu uso precisa ser equilibrado e acompanhado pelos adultos.
Para ele, o excesso de exposição às telas pode prejudicar a comunicação presencial, além de contribuir para a perda de tempo, desânimo e dificuldades de interação.
A jornalista Luciene Costa também ressaltou durante a conversa a preocupação com as transformações na linguagem e na comunicação entre os jovens, defendendo que família e escola precisam atuar conjuntamente nesse processo.
Na visão do gestor educacional, os pais têm um papel fundamental na formação dos filhos e precisam estar presentes, inclusive no acompanhamento da vida escolar e dos hábitos das crianças.
“Escola, família e criança” precisam caminhar juntas para que o processo educativo aconteça de maneira mais leve, próxima e efetiva, destacou.
A alimentação também integra a proposta da Escola Terracota. Segundo Luiz Henrique, a instituição possui uma cozinha própria e trabalha com cardápios elaborados por nutricionista e preparados por uma chef.
A escola não permite que os alunos levem alimentos de fora e busca oferecer refeições equilibradas, com ingredientes naturais. A instituição também possui uma horta, utilizada como parte da experiência das crianças.
A proposta é fazer com que a alimentação saudável seja incorporada ao cotidiano infantil de maneira natural, inclusive por meio do exemplo e da convivência entre os próprios alunos.
Atualmente localizada na Praia da Costa, em Vila Velha, a Escola Terracota atende crianças de 1 a 5 anos e trabalha com opções de período integral e meio período.
De acordo com Luiz Henrique, a escola começou suas atividades em 2026 e já conta com dezenas de alunos. A estrutura foi projetada para receber um número maior de crianças, mantendo, segundo ele, a preocupação com um ambiente acolhedor e com a interação social.
A proposta, no entanto, não é ampliar imediatamente a faixa etária atendida. O foco é consolidar um modelo de educação infantil que valorize as habilidades humanas e ofereça uma experiência diferente da educação tradicional.
O projeto levou cerca de dois anos entre pesquisas, viagens, desenvolvimento do conceito e planejamento. A construção da unidade também envolveu aproximadamente um ano de trabalho até a abertura das portas.
Para Luiz Henrique, o principal diferencial da proposta está justamente na tentativa de preparar as crianças para os desafios do mundo contemporâneo, sem antecipar excessivamente a cobrança por habilidades técnicas.
A ideia é estimular, desde cedo, competências como comunicação, criatividade, inteligência emocional, autonomia, bons hábitos, leitura, alimentação saudável e atividade física.
Ao final da entrevista, o empresário reforçou que a escola busca manter uma relação próxima com as famílias e convidou os interessados a conhecerem a estrutura e a proposta pedagógica.
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