Produção industrial capixaba teve o maior crescimento entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE, impulsionada principalmente pela indústria extrativa
A indústria do Espírito Santo encerrou o primeiro semestre de 2026 com o maior crescimento do país. Entre janeiro e junho, a produção industrial capixaba avançou 20,2% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado muito acima da média nacional, que ficou em 1,5%.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram compilados pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Observatório Findes).
O desempenho também colocou o Espírito Santo na liderança nacional em outros importantes períodos de comparação. No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria estadual registrou alta de 20,1%, enquanto o resultado brasileiro foi de 0,7%. Já na comparação entre junho de 2026 e o mesmo mês de 2025, o crescimento capixaba chegou a 12,2%, contra 1,7% no país.
Com o resultado de junho, o Estado alcançou 14 meses consecutivos de crescimento de dois dígitos na comparação interanual.
O principal motor do crescimento industrial capixaba no primeiro semestre foi a indústria extrativa, que apresentou expansão de 32% na comparação com os seis primeiros meses de 2025.
O avanço foi favorecido pelo aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro. Na outra ponta, a indústria de transformação registrou retração de 2,8% no acumulado do semestre.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, o resultado demonstra a força da indústria capixaba, mas também evidencia a necessidade de ampliar a diversificação do setor.
“Encerramos o primeiro semestre liderando o crescimento industrial do país, impulsionados pela força da indústria extrativa, que tem papel estratégico na nossa economia. É um resultado muito importante para o Espírito Santo. Ao mesmo tempo, precisamos avançar também na indústria de transformação, fundamental para agregar valor à nossa produção, atrair investimentos e gerar mais riqueza e oportunidades para o Estado”, afirmou.
O setor de petróleo e gás teve participação importante no desempenho da indústria extrativa. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Espírito Santo produziu, em média, 244,7 mil barris de petróleo por dia no primeiro semestre, volume 46,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A produção offshore cresceu 47,3%, com destaque para o campo de Jubarte, cuja produção média chegou a 179,3 mil barris por dia, alta de 41,6%.
Entre os fatores que contribuíram para o resultado está o desempenho do navio-plataforma Maria Quitéria, que registrou produção média de 69,7 mil barris por dia no semestre. O campo de Wahoo também ganhou destaque, com média de 25,4 mil barris diários entre março e junho.
O gás natural apresentou crescimento ainda mais expressivo. A produção aumentou 69% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Na produção offshore, a alta chegou a 69,8%, impulsionada principalmente pelo campo de Jubarte, que avançou 71,1%.
Segundo a economista-chefe da Findes e gerente-executiva do Observatório Findes, Marília Silva, o desempenho dos principais ativos de petróleo e gás foi determinante para o crescimento da indústria extrativa estadual.
Outro destaque do primeiro semestre foi a produção de pelotas de minério de ferro.
De acordo com os relatórios trimestrais das empresas, a Vale produziu 10,8 milhões de toneladas no Espírito Santo nos seis primeiros meses do ano, alta de 28% em relação ao mesmo período de 2025.
Já a produção de pelotas e finos de minério de ferro da Samarco chegou a 7,7 milhões de toneladas, crescimento de 8% na comparação anual.
Transformação cresce em junho, mas fecha semestre em queda
Apesar da retração acumulada no primeiro semestre, a indústria de transformação capixaba apresentou resultado positivo na passagem de maio para junho, com crescimento de 3,5%.
Entre os segmentos pesquisados, a fabricação de produtos de minerais não metálicos registrou alta de 1,6%. O desempenho foi influenciado pelo aumento da produção de pedras de construção trabalhadas e de produtos cerâmicos utilizados em pavimentação e revestimento.
O resultado ocorre em um cenário de expansão da construção civil no Espírito Santo. De acordo com o 46º Censo Imobiliário do Sinduscon-ES, o Estado possui aproximadamente 19 mil unidades residenciais e comerciais em construção, número 10,4% superior ao levantamento anterior.
Por outro lado, na comparação mensal, a fabricação de produtos alimentícios recuou 1,5%, enquanto a metalurgia apresentou queda de 6,4%.
No acumulado do primeiro semestre, a indústria de transformação caiu 2,8%. Entre os segmentos com maior retração estão produtos alimentícios, com queda de 9,7%, e celulose, papel e produtos de papel, com recuo de 6,9%.
Já a metalurgia apresentou leve crescimento de 0,2%, enquanto a fabricação de produtos de minerais não metálicos avançou 0,1%.
Para Paulo Baraona, o desempenho reforça a importância de ampliar a competitividade e estimular novos investimentos na indústria de transformação.
“A indústria de transformação tem uma contribuição decisiva para uma economia mais diversificada e competitiva. É onde conseguimos agregar valor à produção, estimular novas cadeias, atrair investimentos e gerar empregos cada vez mais qualificados”, destacou.
O cenário indica que o Espírito Santo mantém forte ritmo de expansão industrial, sustentado principalmente pelo setor extrativo, enquanto o desafio para os próximos meses é fortalecer a indústria de transformação e ampliar a capacidade de geração de valor dentro do próprio Estado.