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Queimadas avançam no ES

O Espírito Santo enfrenta um aumento expressivo no número de incêndios em áreas de vegetação durante o período de estiagem. A combinação de tempo seco, baixa umidade do ar e ausência prolongada de chuvas favorece a propagação das chamas, mas as autoridades alertam que a ação humana ainda está entre os principais fatores responsáveis pelos focos de incêndio.

Entre janeiro e junho deste ano, o Corpo de Bombeiros registrou 943 atendimentos relacionados a incêndios em vegetação em todo o estado. O número representa um crescimento de mais de 50% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 614 ocorrências.

A situação se agravou especialmente em junho. Foram registrados 252 atendimentos durante o mês, contra 58 ocorrências no mesmo período do ano passado, um aumento superior a 330%.

A Serra aparece no topo do ranking estadual, com 127 registros de incêndios em vegetação. O número é aproximadamente o dobro do registrado em Vila Velha, que ocupa a segunda colocação.

Com cerca de metade do território formado por áreas de cobertura vegetal, o município possui características que exigem atenção redobrada durante os meses mais secos. Para a vice-prefeita da Serra, Gracimeri Gaviorno, a prevenção precisa ser uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e a população.

“Nós temos um território vasto e 50% desse território é de cobertura vegetal. Esses incêndios podem ser evitados porque, apesar da variação climática e dessa época mais seca, a maioria desses eventos é iniciada pelo comportamento humano. É importante que todos entendam a responsabilidade de trabalhar tanto no combate quanto na prevenção dos incêndios, evitando queimadas irregulares e não colocando fogo em lixo.”

A queima de lixo e de vegetação sem autorização é proibida. Em situações específicas, pode haver autorização para a realização de queima controlada, que deve ser solicitada ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).

Durante o período de maio a outubro, considerado de maior risco devido à estiagem e à redução da umidade, as queimadas dessa natureza são proibidas, reforçando a necessidade de adoção de medidas preventivas.

O alerta das autoridades é para que a população evite atitudes aparentemente simples, mas que podem desencadear grandes incêndios. O descarte de bitucas de cigarro em áreas de vegetação, por exemplo, pode provocar faíscas e iniciar focos que se espalham rapidamente em condições de tempo seco.

Nas últimas semanas, diferentes ocorrências chamaram a atenção dos moradores da Serra. No dia 14 de julho, um incêndio atingiu uma área de pastagem equivalente a aproximadamente dois campos de futebol.

Dias depois, as chamas assustaram moradores da região da Praia da Baleia e provocaram impactos no serviço de internet. No fim de semana seguinte, um incêndio nas proximidades do Contorno do Mestre Álvaro gerou uma intensa quantidade de fumaça e prejudicou a visibilidade dos motoristas que trafegavam pela região.

Além dos danos provocados diretamente pelas chamas, a fumaça também representa um risco à saúde e à segurança. A baixa qualidade do ar pode agravar problemas respiratórios, enquanto a redução da visibilidade aumenta o risco de acidentes, principalmente em rodovias.

Com a previsão de continuidade do período seco, o Corpo de Bombeiros mantém equipes extras distribuídas estrategicamente pelo estado para ampliar a capacidade de resposta às ocorrências.

A orientação para a população é acionar imediatamente o telefone 193 ao identificar qualquer foco de incêndio. A comunicação rápida permite que as equipes sejam deslocadas com maior agilidade, aumentando as chances de controlar as chamas antes que atinjam áreas maiores.

O monitoramento de focos também é realizado por meio de imagens de satélite, o que permite acompanhar possíveis ocorrências em diferentes pontos do território capixaba.

O cenário reforça a importância da prevenção, especialmente nos meses de estiagem. Evitar queimadas irregulares, não colocar fogo em lixo e não descartar materiais que possam provocar faíscas em áreas de vegetação são medidas simples que podem ajudar a reduzir o número de incêndios e seus impactos para a população e para o meio ambiente.

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