Espírito Santo busca no Paraná referências para ampliar uso de dados e qualificar atenção à pessoa idosa
Comitiva capixaba conheceu a plataforma Paraná Saúde Digital e ações do programa Envelhecer com Saúde, consideradas referências na gestão e no acompanhamento da população idosa
Uma comitiva do Espírito Santo visitou, na última sexta-feira (7), a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa-PR), em Curitiba, para conhecer experiências consideradas estratégicas na área de saúde digital e no atendimento à população idosa. O encontro reuniu representantes do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi) e da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa-ES).
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Entre os principais temas apresentados estiveram a plataforma Paraná Saúde Digital e o programa Envelhecer com Saúde. As iniciativas despertaram o interesse dos representantes capixabas pela capacidade de reunir informações, monitorar indicadores e apoiar gestores e profissionais na definição de ações de saúde de acordo com as necessidades de cada território.
O secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, destacou a importância do uso estratégico dos dados para fortalecer a gestão pública.
“Nossa plataforma fortalece a gestão pública com informações, permitindo aos municípios qualificar o atendimento à população”, afirmou. Segundo ele, a integração entre tecnologia, planejamento e qualificação das equipes também é fundamental diante do processo de envelhecimento da população.
O diretor-geral do ICEPi, Erico Sangiorgio, explicou que a possibilidade de ampliar o conhecimento sobre a ferramenta foi um dos motivos da visita ao Paraná. Para ele, a experiência desenvolvida no estado pode contribuir para a construção de soluções semelhantes no Espírito Santo.
“Nosso intuito é transportar esse expertise para o Espírito Santo”, destacou.
A comitiva capixaba contou ainda com a subsecretária de Atenção Primária à Saúde do Espírito Santo, Carolina Sanches; a gerente da Escola de Saúde Pública do ICEPi, Vanessa Costa; além de Elry Cristine e Yara Quer, representantes das áreas técnicas do ICEPi e da Atenção Primária à Saúde.
Durante o encontro, a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa-PR, Maria Goretti David Lopes, apresentou a Plataforma Paraná Saúde Digital, coordenada pelo Centro de Gestão da Informação.
Em funcionamento nos municípios paranaenses desde 2024, a ferramenta reúne dados de diferentes sistemas e bases de informação para apoiar o monitoramento da população e o planejamento das ações da Atenção Primária à Saúde (APS).
Disponibilizada aos 399 municípios do Paraná, a plataforma é estruturada em linhas de cuidado que permitem acompanhar diferentes públicos, entre eles crianças, gestantes, pessoas idosas e pacientes que necessitam de acompanhamento periódico pelas equipes de saúde.
A ferramenta possibilita ainda acompanhar indicadores, metas e informações assistenciais, permitindo que gestores e profissionais tenham uma visão mais organizada da realidade de cada território.
Após dois anos de utilização, a plataforma também passou a contar com maior integração com o Ministério da Saúde, ampliando as possibilidades de análise e monitoramento.
Para Elry Cristine, do ICEPi, a experiência paranaense apresenta possibilidades que podem ser adaptadas à realidade capixaba.
“A plataforma daqui é fantástica e precisamos de algo semelhante lá no Espírito Santo”, afirmou.
A troca de experiências também contou com a participação da assessora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Maria Silvia Fruet. Ela destacou a importância da utilização das informações para identificar situações específicas de cada município.
Entre as possibilidades está a busca ativa, que permite às equipes localizar situações de maior vulnerabilidade e desenvolver estratégias de intervenção de maneira mais rápida.
A utilização dos dados, portanto, pode contribuir não apenas para o acompanhamento dos indicadores, mas também para aproximar o planejamento das necessidades concretas encontradas nos territórios.
Paraná apresenta estratégias para o envelhecimento da população
Outro eixo da visita foi o programa Envelhecer com Saúde, que reúne ações voltadas à promoção da saúde, prevenção de agravos e garantia de direitos da população idosa.
Entre as iniciativas apresentadas esteve o Sistema de Informação da Pessoa Idosa (SIPI), em funcionamento desde 2023, além das ações de educação permanente destinadas aos profissionais da rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS).
A proposta é ampliar a qualificação das equipes para oferecer um cuidado integral, com atenção à prevenção, à capacidade funcional, à autonomia e à qualidade de vida das pessoas idosas.
A enfermeira Giseli da Rocha, chefe da Divisão de Saúde da Pessoa Idosa da Sesa-PR, explicou que parte das estratégias adotadas surgiu a partir das necessidades identificadas nos próprios municípios.
Segundo ela, a Atenção Primária possui papel central na preparação da rede de saúde para o envelhecimento da população.
A assessora da OPAS/OMS, Maria Silvia Fruet, também ressaltou que o desenvolvimento de políticas e programas específicos para a população idosa ganha importância diante do atual cenário demográfico.
Para a subsecretária de Atenção Primária à Saúde do Espírito Santo, Carolina Sanches, conhecer o funcionamento dos sistemas utilizados no Paraná permitiu observar como o acesso às informações pode contribuir para decisões mais precisas.
Segundo ela, a leitura dos dados territoriais ajuda os gestores a identificar problemas específicos e definir onde as ações devem ser concentradas.
Carolina avaliou ainda que o Paraná apresenta um estágio avançado na utilização dessas ferramentas para apoiar a gestão da saúde pública.
A visita foi encerrada com uma avaliação positiva sobre a troca de conhecimentos entre os dois estados. Para o secretário César Neves, o intercâmbio demonstra que experiências desenvolvidas em uma região podem contribuir para aprimorar políticas públicas em outros estados.
A expectativa é que o conhecimento obtido pela equipe capixaba possa subsidiar futuras iniciativas no Espírito Santo, especialmente nas áreas de saúde digital, monitoramento territorial, Atenção Primária e cuidado integral da população idosa.