Cidade Economia Geral

Empresas enfrentam escassez de mão de obra qualificada

Falta de profissionais qualificados desafia empresas e amplia oportunidades de emprego no Espírito Santo

O mercado de trabalho no Espírito Santo vive um cenário paradoxal: enquanto empresas de diversos setores ampliam a oferta de vagas, cresce a dificuldade para encontrar profissionais qualificados para preenchê-las. O problema já afeta áreas estratégicas da economia e reforça a necessidade de maior integração entre instituições de ensino e o setor produtivo.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-ES), Paulo Vanic, o Estado passou por uma mudança significativa nos últimos anos. Se antes o desafio era gerar empregos, hoje a realidade é outra: as vagas existem, mas faltam profissionais preparados para ocupá-las.

Segundo ele, a escassez de mão de obra qualificada atinge setores como construção civil, indústria, logística, tecnologia, agronegócio e saúde. A demanda inclui desde funções operacionais, como pedreiros, carpinteiros, mestres de obras e operadores logísticos, até profissionais especializados em tecnologia da informação, inteligência artificial e transformação digital.

“O emprego está disponível. O grande desafio é encontrar pessoas qualificadas para atender às necessidades atuais do mercado”, destaca.

Para o dirigente do Ibef-ES, o problema não deve ser interpretado como uma falha do sistema educacional, mas como consequência da rápida transformação das atividades econômicas e dos avanços tecnológicos.

Com o surgimento de novas profissões e o crescimento de setores estratégicos da economia capixaba, a formação profissional precisa acompanhar as mudanças. Isso exige maior alinhamento entre universidades, escolas técnicas, instituições de qualificação e empresas.

“A evolução do mercado acontece em ritmo acelerado. Por isso, é necessário que a formação oferecida esteja conectada às competências que as empresas procuram atualmente”, afirma.

Embora cursos de graduação demandem vários anos de formação, Paulo Vanic acredita que parte da solução está em programas de capacitação de curta duração, treinamentos internos promovidos pelas próprias empresas e na ampliação de iniciativas como as oferecidas pelo Sistema S.

Segundo ele, a aproximação entre o ambiente acadêmico e o mercado de trabalho pode acelerar a preparação de novos profissionais e reduzir o déficit de mão de obra.

“O desafio é urgente. Precisamos fortalecer essa conexão para que a qualificação acompanhe a velocidade das transformações do mercado”, ressalta.

Questionado sobre a possibilidade de os salários influenciarem a dificuldade de contratação, Paulo Vanic avalia que a remuneração não é o principal obstáculo.

Na avaliação dele, a falta de profissionais qualificados tem provocado justamente o movimento contrário: a valorização dos salários. Com menos pessoas capacitadas disponíveis, as empresas acabam oferecendo melhores remunerações para atrair e reter talentos.

“Quanto maior a escassez de mão de obra qualificada, maior tende a ser a valorização desses profissionais. O foco precisa continuar sendo a qualificação, pois a demanda por trabalhadores preparados deve continuar crescendo no Espírito Santo”, conclui.

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