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IBGE aponta queda no uso de celular entre crianças

Pela primeira vez desde que passou a acompanhar o tema, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda no percentual de crianças de 10 a 13 anos que possuem celular para uso pessoal. O dado sinaliza uma mudança no comportamento das famílias brasileiras, cada vez mais preocupadas com os riscos que crianças e adolescentes enfrentam no ambiente digital.

Entre 2024 e 2025, o percentual de crianças nessa faixa etária com aparelho próprio caiu de 56,7% para 55,2%. Entre os lares em que os filhos não possuem celular, a preocupação dos responsáveis com a privacidade e a segurança na internet aparece como um dos principais motivos para a decisão.

Para a advogada especialista em Direito de Família, Rafaella Litke Vimercati, os números refletem uma conscientização crescente das famílias sobre os desafios da era digital. No entanto, ela ressalta que a proteção da infância não depende apenas da restrição ao uso dos dispositivos.

“O celular é apenas uma ferramenta. O verdadeiro desafio é ensinar crianças e adolescentes a utilizarem a tecnologia de forma segura e responsável. Hoje, o dever de cuidado dos pais também se estende ao ambiente digital”, afirma.

Segundo a especialista, a responsabilidade dos pais vai além de controlar o acesso ao aparelho. Ela explica que o poder familiar inclui acompanhar a rotina digital dos filhos, conhecer os aplicativos que utilizam, orientar sobre os riscos da internet e estabelecer limites adequados para cada idade.

“Da mesma forma que os pais procuram saber onde os filhos estão, com quem convivem e quais lugares frequentam, também precisam estar atentos ao universo virtual. O diálogo permanente é uma das principais ferramentas de proteção”, destaca.

A discussão ganha ainda mais relevância às vésperas dos 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), comemorados em 13 de julho. Além da legislação tradicional de proteção à infância, a advogada lembra que a recente Lei nº 15.211/2025, que instituiu o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, ampliou as garantias de proteção também para os ambientes virtuais.

Entre as medidas previstas estão mecanismos de verificação de idade, configurações de privacidade mais rigorosas, ferramentas de supervisão parental e maior responsabilidade das plataformas digitais na prevenção e remoção de conteúdos que possam colocar crianças e adolescentes em situação de risco.

Para Rafaella, a nova legislação representa um avanço importante, mas não substitui o papel da família.

“O Estatuto Digital deixa claro que a internet não é um espaço sem regras. As empresas passam a ter obrigações mais rígidas, mas isso não reduz a responsabilidade dos pais. A presença ativa da família continua sendo essencial para orientar, prevenir situações de risco e promover o uso consciente da tecnologia”, explica.

A especialista também faz um alerta para que a restrição ao uso dos dispositivos não seja vista como a única solução. Segundo ela, a educação digital deve ser construída com diálogo, informação e confiança.

“Crianças e adolescentes precisam compreender os riscos para fazer escolhas responsáveis. A confiança entre pais e filhos costuma produzir resultados muito mais efetivos do que apenas a fiscalização ou a proibição”, ressalta.

Para a advogada, o avanço da tecnologia exige uma adaptação da forma de educar, sem alterar a essência do papel da família.

“Educar hoje também significa preparar os filhos para viverem com segurança no ambiente digital. O celular pode ser uma importante ferramenta de comunicação, aprendizado e lazer, desde que seu uso esteja acompanhado de orientação, limites e participação ativa da família. A tecnologia muda, mas o dever de cuidar continua

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