A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta no setor industrial. A medida, em análise pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), preocupa a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), que defendem o fortalecimento do diálogo entre os dois países para evitar prejuízos econômicos.
Segundo a CNI, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é estratégica e consolidada ao longo de décadas. Para a entidade, a adoção de novas barreiras tarifárias poderá afetar não apenas a indústria brasileira, mas também o próprio mercado norte-americano, uma vez que diversas cadeias produtivas dos dois países são interdependentes.
“O momento exige diálogo e análise técnica. Estamos prontos para contribuir com as negociações para que sejam encontradas soluções equilibradas”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Dados analisados pela entidade mostram que as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos já registraram queda de 4,2% em 2025, em comparação com o ano anterior. As vendas do setor somaram US$ 30,2 bilhões. Entre os segmentos mais afetados estão produtos de metal, com retração de 31,6%, madeira (-20%), celulose e papel (-19,9%) e veículos automotores (-17,6%).
No Espírito Santo, a preocupação é ainda maior. Os Estados Unidos são historicamente o principal parceiro comercial dos capixabas. Dados do Comex Stat apontam que, somente no primeiro quadrimestre de 2026, o Estado exportou US$ 752,82 milhões para o mercado norte-americano, volume que representa 24,32% de todas as exportações capixabas no período.
Diante desse cenário, o presidente da FINDES, Paulo Baraona, destacou que a federação acompanha de perto os desdobramentos das medidas anunciadas pelos Estados Unidos e vem atuando para minimizar possíveis impactos na economia estadual.
“Temos trabalhado para fortalecer conexões, ampliar o diálogo com parceiros estratégicos e identificar oportunidades capazes de atrair investimentos, diversificar mercados e impulsionar a economia do Estado. Seguiremos mobilizando nossa estrutura técnica e institucional para apoiar as empresas na avaliação desse cenário e na construção de alternativas que preservem a competitividade, os investimentos e os empregos gerados pelo setor produtivo capixaba”, afirmou.
Como parte do processo de avaliação da proposta, o USTR realizará uma audiência pública no dia 6 de julho. Além disso, serão recebidas manifestações e contribuições técnicas por escrito sobre a medida. A expectativa é que essa etapa permita ao Brasil apresentar informações que possam contribuir para uma análise mais equilibrada dos possíveis impactos econômicos e comerciais.
A CNI informou que continuará acompanhando o tema e atuando junto às autoridades brasileiras e norte-americanas para defender soluções que preservem a parceria econômica bilateral, considerada uma das mais importantes para a indústria nacional e para estados exportadores como o Espírito Santo.