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Projeto do Mangalô Club traduz o lifestyle da Curva da Jurema em uma arquitetura que conecta cidade, mar e bem-estar

Assinado pela Inspira Conceito, novo restaurante aposta na arquitetura da experiência para integrar gastronomia, bem-estar e paisagem em uma narrativa inspirada no lifestyle da Curva da Jurema. O projeto será o primeiro restaurante do Espírito Santo a incorporar uma sauna como parte da experiência arquitetônica dos clientes.

A arquitetura comercial vive uma transformação. Se antes os projetos eram pensados principalmente para atender questões estéticas e funcionais, hoje eles buscam traduzir estilos de vida.

Restaurantes, hotéis e espaços de convivência deixam de ser apenas locais de consumo para se tornarem destinos onde arquitetura, gastronomia, cultura e bem-estar constroem experiências memoráveis.

Essa mudança acompanha uma transformação global de comportamento. Estudos da WGSN e do Global Wellness Institute mostram que consumidores valorizam cada vez mais espaços que unem lazer, esporte, socialização e qualidade de vida em uma mesma experiência, criando os chamados “third places”. O bem-estar deixa de estar associado apenas ao autocuidado individual e passa a acontecer, principalmente, por meio da convivência em coletivo.

É justamente essa leitura que orienta o projeto do Mangalô Club, novo restaurante que será inaugurado em agosto, na Curva da Jurema, em Vitória.

As arquitetas Bruna e Paula Rody, da Inspira Conceito

Assinado pela arquiteta Bruna Rody, sócia da Inspira Conceito ao lado da irmã Paula Rody, o espaço foi concebido para traduzir um dos estilos de vida mais característicos da capital capixaba.

“O conceito nasceu da observação de quem vive a Curva da Jurema. Existe uma dinâmica muito própria naquele lugar: pessoas que começam o dia praticando esportes, caminham ou pedalam pela orla, encontram amigos depois do treino, trabalham durante o dia e voltam ao fim da tarde para contemplar o mar. Não queríamos criar mais um restaurante de linguagem praiana. Queríamos traduzir essa mistura entre a energia urbana da cidade e a tranquilidade do litoral, que faz parte da identidade daquele lugar”, explica Bruna.

Essa narrativa aparece em todas as escolhas arquitetônicas. Os revestimentos em tons de verde-água estabelecem uma continuidade visual com o mar, enquanto o piso cimentício cria um contraponto urbano e contemporâneo, inspirado na cidade. A proposta não reproduz os códigos tradicionais dos quiosques de praia, mas constrói uma linguagem que representa o encontro entre esses dois universos.

O mobiliário reforça essa leitura. A cadeira Cesca, um dos maiores ícones do design modernista da Bauhaus, foi escolhida justamente por representar o equilíbrio entre o artesanal e o industrial, conceito presente desde sua criação. Assim como o restaurante, ela combina materiais naturais com uma estrutura racional e contemporânea, traduzindo o diálogo entre o acolhimento do litoral e a intensidade da vida urbana.

Outro elemento importante da experiência é a cozinha aberta, que aproxima clientes da operação gastronômica e transforma o preparo dos pratos em parte da vivência do espaço. A arquitetura valoriza a transparência, a interação e o protagonismo da gastronomia, características cada vez mais presentes na hospitalidade contemporânea. Elementos como a janela circular fazem referência ao universo náutico, enquanto a iluminação, as texturas e a materialidade contribuem para criar uma atmosfera leve e integrada à paisagem.

“O projeto foi pensado para ser percebido com todos os sentidos. Cor, textura, iluminação, mobiliário e materiais trabalham juntos para construir uma atmosfera que desperta permanência e pertencimento. Quando a arquitetura traduz um comportamento, ela deixa de ser apenas cenário e passa a fazer parte da experiência”, afirma a arquiteta.

O principal diferencial do Mangalô Club é a incorporação de uma sauna como parte da arquitetura do restaurante, proposta inédita em estabelecimentos do segmento no Espírito Santo. Em vez de funcionar como um ambiente isolado, ela foi integrada ao salão por meio de tijolos de vidro, material que vive um novo protagonismo na arquitetura contemporânea ao permitir transparência, entrada de luz natural e privacidade simultaneamente.

Posicionada no ponto de melhor vista para o mar, a sauna amplia o conceito do restaurante ao propor um espaço onde gastronomia, contemplação, recuperação física e convivência acontecem de forma integrada. A ideia acompanha um movimento internacional em que hotéis, clubes e restaurantes incorporam experiências de bem-estar como parte da permanência dos clientes, e não apenas como serviços complementares.

“O wellness, hoje, vai muito além do autocuidado. Ele representa uma busca por experiências que conectem corpo, mente e espírito. A arquitetura acompanha essa mudança ao criar espaços onde as pessoas desejam permanecer, desacelerar e viver o ambiente de forma completa”, destaca Bruna.

Além da proposta arquitetônica, o Mangalô Club também nasce com um conceito gastronômico alinhado ao estilo de vida que inspirou o projeto. O restaurante funcionará com foco em almoço e fim de tarde, apostando em um cardápio contemporâneo baseado em peixes, frutos do mar, ingredientes frescos, entradas para compartilhar e uma carta de drinks clássicos e autorais.

A experiência será complementada pela sauna integrada ao ambiente e por um clube de assinantes, reforçando a proposta de reunir gastronomia, convivência e bem-estar em um único espaço.

Para Pedro Miranda, empresário e idealizador do Mangalô Club, o desafio era criar um restaurante que traduzisse esse novo modo de viver a Curva da Jurema.

Encontrar um escritório capaz de compreender essa visão foi determinante para transformar o conceito em arquitetura.

“A gente queria criar um restaurante que fosse além da gastronomia. Um lugar onde as pessoas pudessem almoçar, encontrar amigos, contemplar o mar e desacelerar, vivendo uma experiência completa. A única forma de fazer esse projeto acontecer da maneira que imaginávamos era trabalhar com pessoas que compartilhassem da nossa visão. A Inspira entendeu que luxo não está apenas em marcas, mas no bom gosto, na experiência e nos detalhes.

Além disso, queríamos parceiros jovens, que falassem a nossa linguagem e já tivessem nascido no ambiente digital, assim como nós.”

O projeto também traduz a forma como a Inspira Conceito desenvolve sua arquitetura: cada espaço nasce da leitura do contexto e da identidade de quem irá vivê-lo. Mais do que desenhar interiores, o escritório constrói narrativas capazes de conectar conceito e estilo de vida.

À frente da Inspira Conceito, Bruna e Paula Rody assinam projetos para empreendimentos de alto padrão como o Manami Ocean Living, em Guarapari, e o Vive Le Vin, em Pedra Azul, ambos desenvolvidos pela Invite Inc.

No Manami, a arquitetura explora a relação entre os ambientes e a paisagem litorânea, valorizando a fluidez dos espaços e a conexão com o mar. Já o Vive Le Vin traduz o universo do vinho por meio de ambientes voltados à contemplação, convivência e desaceleração, reforçando uma abordagem em que arquitetura, cultura e experiência caminham juntas.

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