Testosterona: mitos, verdades e os fatores que realmente influenciam o hormônio masculino
Impulsionada por promessas de desempenho, virilidade e soluções rápidas, a testosterona frequentemente ganha destaque nas redes sociais — muitas vezes cercada de desinformação. Apesar de ser um hormônio essencial para diversas funções do organismo masculino, especialistas alertam que seu equilíbrio está longe de depender de fórmulas milagrosas.
Segundo o urologista e andrologista Thales Mendes, do Hospital Santa Rita, práticas sem comprovação científica, como a exposição ao sol em áreas íntimas ou o uso de “chips hormonais” não regulamentados, podem trazer riscos à saúde e reforçam a importância da informação qualificada e do acompanhamento médico.
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino e desempenha múltiplas funções no organismo. Ela está envolvida no desenvolvimento dos caracteres sexuais, como o engrossamento da voz e o crescimento de pelos corporais, além de atuar na manutenção da libido, na produção de espermatozoides, na massa muscular, na densidade óssea e até em aspectos do humor e da energia. Ou seja, seu papel vai muito além da função sexual, sendo fundamental para o equilíbrio global da saúde masculina.
Diversos fatores podem influenciar negativamente os níveis hormonais. De acordo com o especialista, o envelhecimento natural, a obesidade, o sedentarismo, o estresse crônico, a privação de sono, o consumo excessivo de álcool e algumas doenças crônicas estão entre os principais responsáveis pela queda da testosterona. “O estilo de vida tem impacto direto. Má alimentação, falta de atividade física e sono inadequado são causas frequentes de queda hormonal”, enfatiza.
Entre os mitos mais difundidos, está a ideia de que a exposição solar direta nos testículos poderia aumentar a produção de testosterona. O médico é categórico ao desmentir essa prática. “Não há evidências científicas que comprovem esse efeito. Pelo contrário, a exposição pode causar queimaduras, lesões na pele e aumentar o risco de câncer, já que a região é extremamente sensível”, alerta.
Por outro lado, há estratégias comprovadas para otimizar naturalmente os níveis do hormônio. A prática regular de exercícios físicos, a manutenção de um peso saudável, uma alimentação equilibrada, sono de qualidade e o controle do estresse são medidas eficazes e seguras. “Essas práticas ajudam a regular a produção hormonal de forma sustentável”, explica.
O especialista também chama atenção para a associação simplista entre testosterona e virilidade. Segundo ele, embora exista relação biológica com a libido e a função sexual, reduzir a masculinidade aos níveis hormonais é um equívoco. “Trata-se de uma questão complexa que envolve fatores físicos, psicológicos e sociais”, pontua.
A baixa testosterona pode, sim, impactar a libido e contribuir para casos de disfunção erétil, mas não é a única causa. Problemas vasculares, neurológicos e psicológicos também desempenham papel importante. Da mesma forma, a queda do desejo sexual é multifatorial, podendo estar relacionada a estresse, ansiedade, depressão, dificuldades no relacionamento, uso de medicamentos e doenças crônicas.
Outro ponto de alerta são os chamados “chips hormonais”. De acordo com Thales Mendes, o uso desses dispositivos sem regulamentação apresenta riscos significativos, como doses inadequadas, efeitos colaterais imprevisíveis, aumento do risco cardiovascular, problemas hepáticos e até infertilidade. “Sem controle médico rigoroso e aprovação sanitária, o uso é potencialmente perigoso”, reforça.
A reposição de testosterona, por sua vez, é indicada apenas em casos específicos, quando há diagnóstico confirmado de hipogonadismo associado a sintomas clínicos e exames laboratoriais consistentes. “Não se trata de estética ou desempenho, mas de tratar uma deficiência real”, explica.
Quanto ao monitoramento dos níveis hormonais, o médico orienta que não há necessidade de exames de rotina para todos os homens. A investigação deve ser feita quando há sintomas sugestivos, como fadiga excessiva, baixa libido ou perda de massa muscular, sempre com orientação profissional.
Em meio ao crescente interesse por temas ligados à sexualidade e desempenho masculino, o especialista alerta para o perigo da desinformação. “Promessas rápidas e soluções simplificadas se espalham facilmente, mas podem levar a práticas perigosas e ao uso inadequado de hormônios, colocando a saúde em risco”, conclui.