Novos exames ampliam diagnóstico e mudam estratégia na prevenção de doenças cardíacas
A forma de avaliar o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares acaba de passar por uma transformação significativa, considerada a mais importante da última década por especialistas. As novas diretrizes deixam para trás a análise centrada apenas no LDL — popularmente conhecido como “colesterol ruim” — e passam a incorporar exames mais específicos, capazes de oferecer um retrato mais fiel da saúde vascular.
Entre as principais mudanças está a inclusão dos testes de ApoB (Apolipoproteína B) e Lp(a) (Lipoproteína A), que agora são oficialmente recomendados como complementares na investigação do risco cardiovascular. Esses marcadores ajudam a identificar ameaças mesmo quando os níveis de LDL estão dentro da faixa considerada normal, evitando diagnósticos incompletos.
Segundo a endocrinologista Gisele Lorenzoni, a atualização representa um avanço importante na medicina preventiva. “Os danos causados pelo acúmulo de lipídios nas artérias são progressivos. Por isso, o ideal é iniciar o rastreamento a partir dos 30 anos, quando ainda é possível agir de forma mais eficaz”, explica.
Outro ponto relevante das novas diretrizes é a substituição da antiga calculadora de risco cardiovascular, que deixou de ser utilizada após estudos indicarem distorções nos resultados. Em alguns casos, a ferramenta poderia superestimar o risco em até 50%, levando tanto à medicalização desnecessária quanto à falta de tratamento em pacientes que realmente precisavam de intervenção.
Com o novo modelo, as metas de controle do colesterol LDL voltam a ganhar destaque, mas agora com critérios mais individualizados. Pessoas consideradas de alto risco devem manter níveis abaixo de 70 mg/dL, enquanto pacientes que já sofreram eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC, precisam atingir índices ainda mais baixos, inferiores a 55 mg/dL.
A proposta das mudanças é tornar a prevenção mais precisa e personalizada, evitando decisões baseadas em parâmetros genéricos. “Hoje conseguimos avaliar melhor quem realmente precisa de intervenção e qual a intensidade do tratamento, reduzindo riscos futuros de forma mais segura”, destaca a médica.
Para especialistas, a atualização marca uma nova fase no cuidado com a saúde do coração, ao integrar tecnologia, evidência científica e abordagem individualizada. A expectativa é que, com diagnósticos mais completos, seja possível reduzir significativamente a incidência de doenças cardiovasculares, que seguem entre as principais causas de morte no país.