O ciclo menstrual e a menopausa envolvem oscilações hormonais que influenciam corpo, mente e comportamento. Para a maioria das mulheres essas mudanças são naturais, mas sintomas intensos ou incapacitantes devem ser avaliados por um profissional de saúde. Mariana Rocha Galvão, ginecologista e professora do Unesc explica sobre o tema.
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Segundo a médica, durante o ciclo menstrual – cujo intervalo normal é de 21 a 35 dias -, os níveis de estrogênio e progesterona sobem e descem. “Esses hormônios atuam em várias áreas do corpo. No cérebro influenciam neurotransmissores como serotonina e dopamina, que regulam humor, motivação e foco. Na energia e metabolismo, alterando a sensação de disposição e de fome. No sistema cardiovascular e temperatura corporal, especialmente na fase pós-ovulatória. Na sensibilidade emocional e percepção de estresse. Por isso muitas mulheres percebem mudanças reais no comportamento e no corpo ao longo do mês”, diz.
Do ponto de vista médico, Mariana Rocha Galvão pontua que essas variações ocorrem por três fatores principais:
1. Alterações hormonais no cérebro – O estrogênio tende a melhorar humor, memória e energia; a progesterona pode ter efeito mais calmante ou até sedativo.
2. Mudanças nos neurotransmissores – Quando os hormônios caem antes da menstruação, pode haver redução na serotonina, o que favorece irritabilidade ou tristeza.
3. Resposta individual do organismo – Algumas mulheres são mais sensíveis às oscilações hormonais. Em casos mais intensos pode ocorrer a Síndrome Pré‑Menstrual ou sua forma mais grave, o Transtorno Disfórico Pré‑Menstrual.
A professora do Unesc descreve o impacto de cada fase do ciclo. Na fase menstrual (dias 1–5), a menstruação ocorre, a energia pode ser menor, algumas mulheres sentem mais introspecção e a necessidade de descanso. Já na fase folicular (após a menstruação), Mariana Rocha Galvão explica que o estrogênio começa a subir, geralmente há mais energia, criatividade e foco. Durante a ovulação (meio do ciclo), é quando ocorre o pico de estrogênio e muitas mulheres relatam maior sociabilidade, autoconfiança e libido. A fase lútea (antes da menstruação), é quando a progesterona aumenta e depois cai, pode ocorrer cansaço, retenção de líquido, sensibilidade emocional e dificuldade de concentração.
De acordo com a ginecologista, organizar a rotina conforme o ciclo deixa os dias mais leves. “Para algumas mulheres, isso pode ser útil, embora não seja obrigatório. Essa abordagem é chamada informalmente de ‘sincronização do ciclo’”, afirma.
Confira algumas estratégias comuns:
– Fase folicular/ovulação: tarefas criativas, reuniões, atividades sociais.
– Fase lútea: tarefas mais analíticas ou organizacionais.
– Menstruação: priorizar descanso e autocuidado quando possível.
A evidência científica ainda é limitada, mas respeitar os sinais do corpo pode melhorar o bem-estar e reduzir o estresse.
A especialista enfatiza que alguns sinais de alerta merecem avaliação médica. “Alguns sintomas não devem ser considerados ‘normais’. Entre eles estão dor menstrual intensa – pode indicar Endometriose -, sangramento muito intenso ou prolongado, ciclos muito irregulares, sintomas emocionais graves, falta de menstruação por vários meses sem gravidez, cansaço extremo ou anemia. Nesses casos é importante avaliação com ginecologista”, destaca.
A professora do Unesc relata que a transição hormonal começa anos antes da menopausa e é chamada de Perimenopausa. “Pode iniciar entre 40 e 45 anos, às vezes antes. Os ovários passam a produzir hormônios de forma irregular e os ciclos menstruais começam a mudar. A menopausa é definida quando a mulher fica 12 meses sem menstruar, normalmente entre 45 e 55 anos.”
Além do fim da menstruação, Mariana Rocha Galvão comenta que podem ocorrer sintomas físicos como ondas de calor (fogachos), suor noturno, alterações do sono, ressecamento vaginal, diminuição da massa óssea (osteoporose). “Além disso, sintomas emocionais e cognitivos como irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de memória ou concentração, ansiedade ou tristeza em algumas mulheres. Esses sintomas variam muito de pessoa para pessoa”, informa.
Algumas estratégias médicas e de estilo de vida podem ajudar a conviver com a nova fase, mas dependem de cada caso. “Na menopausa, se for necessário, o médico pode indicar Terapia de Reposição Hormonal. Já nas pacientes que ainda não estão na menopausa, algumas estratégias contam com anticoncepcionais hormonais ou antidepressivos em alguns casos de sintomas pré-menstruais graves. É importante mudanças de estilo de vida. Há evidências de benefícios com atividade física regular, controle de peso, sono adequado, alimentação equilibrada, redução de álcool e cafeína, técnicas de manejo do estresse. Essas medidas ajudam tanto no ciclo menstrual quanto na menopausa”, conclui a professora do Unesc.