Geral Saúde

Pesquisa sobre lesão medular coloca Espírito Santo no centro da ciência brasileira

Pesquisa brasileira sobre lesão medular ganha projeção nacional e reforça papel do Espírito Santo como polo científico

A valorização da ciência como instrumento de transformação social marcou a solenidade realizada no Palácio Anchieta, em Vitória, que reuniu autoridades, pesquisadores e profissionais da saúde em um evento que foi além do protocolo oficial. O encontro simbolizou o fortalecimento da parceria entre o Espírito Santo e a comunidade científica nacional em torno das pesquisas com a polilaminina, substância experimental que vem sendo estudada como possível alternativa terapêutica para pessoas com lesão medular total.

O governador do Estado, Renato Casagrande, destacou que o Espírito Santo tem se posicionado como um dos estados que mais investem em pesquisa e inovação no País. Segundo ele, não existe avanço científico sem investimento contínuo, planejamento e infraestrutura adequada. Nesse contexto, o Estado colocou sua rede de saúde à disposição para apoiar o desenvolvimento dos estudos, incluindo o Hospital São Lucas, referência em trauma e neurocirurgia.

A principal homenageada da cerimônia foi a bióloga, professora e pesquisadora Tatiana Coelho Lobo de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que coordena o projeto responsável pelo desenvolvimento da polilaminina. Ela recebeu a Comenda Jerônimo Monteiro – Ordem Grã-Cruz, a maior honraria concedida pelo Governo do Espírito Santo, em reconhecimento à relevância científica e social do trabalho desenvolvido.

Além de Tatiana Sampaio, integrantes do grupo de trabalho da polilaminina também foram homenageados com a Comenda Jerônimo Monteiro – Ordem Cavaleiro, reforçando o caráter coletivo da pesquisa e a importância da atuação multidisciplinar no avanço do conhecimento científico.

Em entrevista à imprensa, a pesquisadora ressaltou que a repercussão da polilaminina tem cumprido um papel fundamental ao aproximar a ciência da sociedade. “A ciência, muitas vezes, fica restrita aos laboratórios ou às indústrias. Esse projeto ajudou a romper essa barreira e a mostrar que a pesquisa científica pode dialogar diretamente com a vida das pessoas”, afirmou. Para ela, a recepção calorosa do público demonstra que existe uma demanda social por mais ciência acessível, transparente e conectada com a realidade.

A polilaminina ganhou notoriedade nacional após decisões judiciais que autorizaram o uso experimental da substância em pacientes com lesão medular. Cinco pessoas obtiveram esse direito; duas morreram em decorrência de doenças pré-existentes e outras três seguem em tratamento e acompanhamento clínico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o início dos testes clínicos de fase 1, voltados à avaliação da segurança do composto. Os pacientes serão acompanhados por seis meses, e os resultados subsidiarão o pedido de autorização para a fase 2, que analisará a eficácia do tratamento.

Durante o evento, o governo estadual reafirmou a disposição de receber pacientes na segunda etapa dos testes clínicos, consolidando o Espírito Santo como parceiro estratégico no avanço da pesquisa. O Hospital São Lucas, em Vitória, foi apontado como uma das unidades com maior potencial para sediar os atendimentos, por contar com equipe especializada e estrutura adequada para casos de alta complexidade.

A solenidade também foi marcada pela formatura de 159 novos especialistas dos Programas de Residência em Saúde do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi). O momento reforçou a integração entre ciência, formação profissional e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando a capacidade de atendimento qualificado à população capixaba.

Ao final da cerimônia, autoridades destacaram que o reconhecimento à pesquisadora e à sua equipe simboliza mais do que uma homenagem individual: representa a defesa da ciência brasileira, do conhecimento produzido nas universidades públicas e da esperança de milhares de pessoas que aguardam avanços concretos no tratamento de lesões na medula espinhal.

Leia também