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Vitória Coffee Summit debate consumidor mais exigente

Café muda de lugar na vida do brasileiro e busca novas experiências

Vitória Coffee Summit debate consumidor mais exigente, avanço dos cafés premium e novas formas de consumir uma das bebidas mais tradicionais do país

O café continua presente na rotina dos brasileiros, mas a forma de consumi-lo está mudando. A bebida que durante décadas esteve associada principalmente ao tradicional cafezinho começa a ocupar novos espaços, disputar diferentes momentos do dia e conquistar consumidores interessados em origem, qualidade, experiência e praticidade.

Essa transformação esteve no centro das discussões do primeiro dia do Vitória Coffee Summit 2026, realizado nesta quinta-feira (20), no Cais das Artes, em Vitória. O evento, que marca os 80 anos do Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), reuniu representantes da indústria para discutir os caminhos de um mercado que precisa acompanhar um consumidor cada vez mais informado e seletivo.

Participaram do painel Tina Cação, diretora de vendas da JDE Peet’s; Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC); e Bruno Giestas, do Real Café Solúvel.

O cenário apresentado pelos especialistas revela um mercado gigantesco. O Brasil responde por cerca de 12% do consumo mundial de café e a bebida está presente em 99% dos lares brasileiros. Mas, apesar dessa presença quase universal, existe um novo desafio: fazer com que o consumidor queira conhecer mais sobre aquilo que está dentro da xícara.

Para Tina Cação, o próximo ciclo do mercado brasileiro será marcado justamente pela qualificação do consumidor. Quanto mais ele conhece a bebida, mais passa a observar características que antes poderiam passar despercebidas, como origem, qualidade e diferentes perfis de café.

“A gente precisa se preparar para a qualificação que o consumidor tem buscado”, afirmou.

A mudança ocorre em um momento de pressão sobre os preços. Com o café mais caro, o consumidor passa a avaliar com maior atenção o que compra e tende a procurar marcas e produtos nos quais confia.

É nesse cenário que ganha força a chamada premiumização. Em vez de simplesmente consumir mais café, o público passa a buscar uma experiência considerada melhor, seja pela qualidade do produto, pela origem ou pela forma de preparo.

A lógica também muda: o café deixa de ser apenas uma commodity presente no cotidiano e passa a ser percebido, cada vez mais, como produto de experiência.

A discussão sobre qualidade também ganhou espaço no painel. Pavel Cardoso apresentou números que ajudam a dimensionar a importância do setor para a economia brasileira. O PIB do café chega a R$ 123,5 bilhões, enquanto a cadeia movimenta cerca de 8,4 milhões de empregos. O consumo per capita brasileiro se aproxima de cinco quilos por ano.

Mas, para o presidente da ABIC, o desafio está também em mudar a maneira como o consumidor entende qualidade.

A entidade trabalha em um novo protocolo de avaliação de cafés torrados, com a proposta de ampliar a percepção sobre os atributos sensoriais da bebida. A ideia é que a avaliação não fique restrita a uma simples classificação ou nota, mas considere a experiência proporcionada pelo café.

Os cafés especiais, nesse contexto, passam a ocupar um espaço estratégico. São produtos que permitem explorar aromas, sabores e diferentes características sensoriais, aproximando o consumidor de uma experiência mais sofisticada.

Pavel também destacou pesquisas que relacionam o consumo de café a possíveis benefícios à saúde e lembrou que a bebida vem ganhando espaço inclusive no universo esportivo.

A provocação veio de Bruno Giestas, do Real Café Solúvel. Para ele, olhar apenas para a concorrência entre marcas de café é insuficiente para entender o futuro do setor.

A verdadeira disputa acontece pelo momento de consumo.

“Quem disputa o estômago do consumidor?”, questionou.

A pergunta resume uma transformação mais ampla nos hábitos alimentares. O café disputa espaço com refrigerantes, energéticos e outras bebidas, enquanto mudanças na alimentação e o surgimento de novos produtos também interferem nas escolhas do público.

Nesse cenário, o café solúvel encontra uma vantagem: a praticidade.

Pode ser transportado, preparado rapidamente e consumido em diferentes ambientes. Mais do que isso, começa a ocupar espaços que tradicionalmente não pertenciam ao café.

“O café solúvel acompanha esse movimento porque é prático, pode ser levado e consumido em qualquer lugar”, explicou Giestas.

Outra mudança apontada durante o encontro é a transformação do café em ingrediente.

A bebida deixa de estar restrita à xícara e aparece em sobremesas, receitas e preparações associadas, inclusive, ao consumo de proteínas.

A tendência acompanha um movimento no qual os consumidores procuram produtos que possam se adaptar a diferentes necessidades e momentos do cotidiano.

Giestas também destacou o aproveitamento integral proporcionado pelo café solúvel, que não gera borra após o preparo.

No conjunto, as tendências apontadas pelos especialistas indicam que o futuro do café não depende apenas de aumentar o consumo tradicional. A expansão pode estar justamente em criar novas ocasiões para beber, preparar, experimentar e até comer café.

O primeiro dia do Vitória Coffee Summit deixou uma mensagem clara: o café brasileiro continua tendo um mercado enorme pela frente, mas não necessariamente será o mesmo mercado de ontem.

O consumidor está mais atento, compara mais, procura qualidade e quer experiências diferentes. Ao mesmo tempo, o produto precisa disputar espaço com uma variedade cada vez maior de bebidas e alimentos.

Para a cadeia cafeeira, o desafio é transformar essas mudanças em oportunidades.

E talvez a pergunta sobre o futuro do segundo maior mercado de café do mundo tenha começado a encontrar uma resposta em Vitória: o café continuará fazendo parte da rotina brasileira, mas cada vez menos de uma única maneira.

O Vitória Coffee Summit 2026 acontece nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória. A programação reúne representantes do mercado nacional e internacional para discutir tendências, produção, consumo, comércio e os desafios da cadeia cafeeira.

A edição deste ano marca os 80 anos do Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), entidade que atua como uma das referências do setor no Espírito Santo e no mercado brasileiro.

 

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