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Quilombos do Norte Capixaba ganham reforço para impulsionar turismo comunitário

Comunidades quilombolas do norte do Espírito Santo começaram a receber uma nova frente de apoio voltada ao fortalecimento do turismo sustentável, da cultura tradicional e da geração de renda local. A iniciativa integra o projeto “Semear Rotas Negras”, desenvolvido pela Organização da Sociedade Civil ONZE8, em parceria com a Secretaria de Estado do Turismo (Setur), e conta com o alinhamento de ações da Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd).

O projeto pretende transformar saberes ancestrais, gastronomia, memória cultural e tradições quilombolas em experiências turísticas conduzidas pelas próprias comunidades. A proposta segue o modelo de Turismo de Base Comunitária (TBC), em que os moradores participam diretamente da construção, gestão e dos benefícios econômicos das atividades.

Com duração prevista de dez meses, o trabalho será realizado em localidades de Conceição da Barra e São Mateus, regiões afetadas pelo desastre ambiental de Mariana. Em Conceição da Barra, as ações chegarão às comunidades de Córrego do Alexandre, Linharinho, Morro da Onça, Roda e Porto Grande. Já em São Mateus, o projeto atenderá Serraria e São Cristóvão, São Jorge e São Domingos.

Além de estimular o turismo, a iniciativa busca fortalecer a identidade cultural e ampliar oportunidades econômicas nos territórios quilombolas. Entre as ações previstas estão diagnósticos participativos, elaboração de planos de negócios regionais, capacitação de lideranças comunitárias e criação de roteiros turísticos ligados à culinária, artesanato, história e modos de vida tradicionais.

Outro destaque será um intercâmbio interestadual para o Quilombo Ivaporunduva, em São Paulo, considerado referência nacional em Turismo de Base Comunitária. A experiência permitirá que representantes das comunidades capixabas conheçam práticas já consolidadas de organização e geração de renda por meio do turismo comunitário.

Segundo a especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Serd, Leticia Tabachi Silva, o projeto representa uma oportunidade de unir desenvolvimento sustentável e reparação socioeconômica nas regiões atingidas pelo desastre do Rio Doce.

“A proposta fortalece a permanência das famílias em seus territórios, cria alternativas sustentáveis de renda e amplia a visibilidade das comunidades quilombolas, valorizando sua história e cultura”, destacou.

A articulação do projeto também envolve outros órgãos estaduais, como as secretarias de Meio Ambiente (Seama), Educação (Sedu), Direitos Humanos (SEDH) e Mulheres (SESM), além da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes).

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