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Pneumonia matou 1,2 mil pessoas no ES e pode deixar sequelas por até cinco anos

Estudo com mais de 207 mil pacientes aponta aumento do risco de doenças cardiovasculares, pulmonares e renais após internação. Pneumologista alerta para a importância do acompanhamento médico mesmo depois da alta.

A pneumonia continua sendo uma importante ameaça à saúde pública no Espírito Santo. Em 2025, a doença provocou 1.239 mortes e 12.297 internações no Estado, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Em 2026, entre janeiro e outubro, foram registradas 339 mortes entre a população masculina.

Além do risco de morte durante a fase aguda da infecção, a pneumonia pode deixar consequências que se prolongam por anos. Um estudo publicado na revista científica Open Forum Infectious Diseases identificou que pessoas hospitalizadas pela doença apresentam maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares, pulmonares e renais nos cinco anos seguintes à internação.

A pesquisa analisou 207.848 adultos internados com pneumonia adquirida na comunidade e comparou os resultados com os de outros 623.544 pacientes hospitalizados por diferentes condições de saúde.

De acordo com os pesquisadores, os pacientes que tiveram pneumonia apresentaram risco 86% maior de desenvolver novos problemas cardiovasculares ao longo de cinco anos, considerando a análise ajustada por idade. O levantamento também identificou aproximadamente o dobro do risco de novos diagnósticos de doenças pulmonares, além de maior ocorrência de problemas renais.

Os resultados indicam uma associação entre a hospitalização por pneumonia e o desenvolvimento dessas condições, mas não comprovam que a infecção seja a causa direta dos problemas posteriores.

Para a pneumologista Jéssica Polese, os dados reforçam a importância de acompanhar a recuperação dos pacientes, principalmente daqueles que enfrentaram quadros mais graves.

“A pneumonia não é uma doença que devemos considerar resolvida apenas porque a febre passou ou o paciente recebeu alta. Nos casos mais graves, o organismo enfrenta um processo inflamatório intenso, e a recuperação pode ser mais lenta do que se imagina. Algumas pessoas continuam apresentando cansaço, falta de ar e limitações para atividades que antes realizavam normalmente”, explica.

Recuperação exige atenção mesmo depois da alta

A melhora dos sintomas não significa, necessariamente, que o organismo já tenha se recuperado completamente. Dependendo da gravidade da infecção e das condições de saúde do paciente, o retorno às atividades habituais pode levar semanas ou até mais tempo.

Por isso, sintomas persistentes, como falta de ar, cansaço excessivo e dificuldade para realizar pequenos esforços, precisam ser investigados.

Segundo Jéssica Polese, o acompanhamento médico é especialmente importante para pessoas que precisaram de internação, idosos e pacientes que já apresentam doenças respiratórias ou cardiovasculares.

“Não significa que toda pessoa que teve pneumonia desenvolverá problemas de saúde nos anos seguintes. Mas quem passou por um quadro grave precisa observar como está se recuperando. Se a falta de ar persiste, se há dificuldade para realizar pequenos esforços ou se surgem sintomas que não existiam antes, é importante procurar avaliação médica e não atribuir tudo simplesmente à recuperação da infecção”, orienta.

Prevenção ajuda a reduzir os riscos

A pneumonia é uma infecção que pode ser provocada por bactérias, vírus e fungos e atingir pessoas de todas as idades. Idosos, crianças pequenas, fumantes e pacientes com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações.

Entre as principais medidas preventivas estão manter a vacinação em dia, evitar o tabagismo, controlar doenças crônicas e procurar atendimento médico diante de sinais de agravamento.

A pneumologista alerta que febre persistente, tosse, dor no peito e dificuldade para respirar não devem ser negligenciadas.

“A pneumonia pode evoluir rapidamente, principalmente entre pessoas mais vulneráveis. O diagnóstico e o tratamento adequados são fundamentais para evitar quadros graves. E, quando há necessidade de internação, o cuidado deve continuar após a alta, de acordo com as necessidades de cada paciente”, conclui.

O alerta ganha destaque com a proximidade do Dia Mundial da Pneumonia, celebrado em 12 de novembro, data dedicada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

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