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Planejamento financeiro ajuda a evitar dívidas no fim do ano

Educador financeiro da Sicredi Serrana orienta consumidores a organizar o orçamento, controlar os gastos da Black Friday e se preparar para as despesas de janeiro

Com a proximidade do fim do ano, ainda há tempo para organizar as finanças, planejar as despesas e evitar que as comemorações de dezembro se transformem em dívidas nos primeiros meses de 2027. Presentes, confraternizações, viagens e ceia de Natal dividem espaço no orçamento com compromissos que chegam em janeiro, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.

O período também exige atenção redobrada com a Black Friday, tradicional temporada de promoções que pode estimular compras por impulso. Sem planejamento, a busca por ofertas e recompensas imediatas pode comprometer a renda e dificultar o pagamento das contas futuras.

O cenário reforça a importância do controle financeiro. De acordo com o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), com dados do SPC Brasil, o país registrou, em setembro de 2026, 75,05 milhões de brasileiros com contas em atraso, o equivalente a 44,67% da população adulta. Na comparação entre agosto e setembro, o número de inadimplentes cresceu 2,07%.

Segundo o educador financeiro da Sicredi Serrana, Creiciano Paiva, o momento ainda é favorável para reorganizar as contas, desde que o consumidor comece pelo diagnóstico da própria realidade financeira.

“Organizar a vida financeira não significa deixar de aproveitar o fim de ano, mas entender quanto se pode gastar sem comprometer o orçamento. Quando a pessoa conhece sua renda, identifica todas as suas despesas, qual percentual da sua renda está comprometido em dívidas e define suas prioridades, consegue fazer escolhas melhores e evita começar o ano com mais dívidas que poderiam ter sido previstas”, orienta.

Uma das principais recomendações é colocar todas as receitas e despesas no papel ou em uma planilha. O levantamento deve incluir gastos fixos, como aluguel, alimentação e contas domésticas, além de parcelas de empréstimos, financiamentos e compras já realizadas.

Também é importante antecipar os compromissos extraordinários previstos até janeiro. Com essas informações, fica mais fácil estabelecer limites para presentes, confraternizações e viagens, sem comprometer o pagamento das despesas essenciais.

Embora as promoções possam representar oportunidades de economia, é necessário avaliar se a compra realmente faz sentido para o orçamento. Antes de aproveitar uma oferta, o consumidor deve verificar o preço do produto em diferentes estabelecimentos, analisar as condições de pagamento e considerar o valor total da compra, especialmente quando há parcelamento.

Outro cuidado é não confundir desconto com necessidade. A sensação de estar diante de uma oportunidade imperdível pode levar a decisões precipitadas, cujas consequências aparecem quando a fatura do cartão de crédito chega.

A recomendação é definir previamente quanto poderá ser gasto e evitar novas parcelas que se acumulem com compromissos já existentes. Se a compra não estava prevista e compromete despesas essenciais, o mais prudente é reconsiderá-la.

O décimo terceiro salário também pode contribuir para equilibrar as contas, desde que seu destino seja planejado. Em vez de direcionar todo o recurso ao consumo, vale avaliar a existência de dívidas em atraso, despesas previstas para o início do ano e a necessidade de fortalecer uma reserva financeira.

A prioridade depende da situação de cada família. Para quem está inadimplente, negociar débitos e avaliar as condições para quitá-los pode ser um caminho importante. Já quem mantém as contas em dia pode aproveitar parte do valor para se preparar para os gastos de janeiro e guardar o restante para imprevistos.

O planejamento antecipado ajuda a transformar o dinheiro extra em uma ferramenta de organização, e não em uma oportunidade para ampliar as despesas.

A organização financeira não exige mudanças radicais, mas disciplina e escolhas conscientes. Acompanhar os gastos, estabelecer limites, evitar compras por impulso e reservar recursos para despesas previsíveis são medidas que ajudam a reduzir o risco de endividamento.

Com o calendário de despesas em mãos e prioridades bem definidas, o consumidor pode aproveitar as festas de fim de ano sem perder de vista a própria capacidade financeira. Afinal, cuidar do orçamento agora é também uma forma de preservar a tranquilidade e começar 2027 com mais segurança.

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