Exposição “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo” será aberta em 26 de agosto, no Palácio Anchieta, com entrada gratuita e obras inéditas no Brasil
Vitória será palco, a partir de 26 de agosto, de uma exposição dedicada a um dos nomes mais importantes da história da arte. Em celebração aos seus 80 anos de atuação, o Sesc Espírito Santo promove a mostra “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo”, que ocupará o Espaço Cultural do Palácio Anchieta, no Centro da Capital, até 16 de outubro. A entrada será gratuita.
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Pela primeira vez no Espírito Santo, a exposição reúne 80 obras originais de Pablo Picasso, estabelecendo uma relação simbólica entre as oito décadas do Sesc-ES e a trajetória de um dos maiores artistas do século XX. Parte do acervo, formado por coleções particulares italianas, é inédita no Brasil.
Ao todo, serão apresentadas 120 obras, entre gravuras, fotografias, cerâmicas, pinturas e trabalhos de artistas que integraram o universo pessoal e criativo de Picasso, como Dora Maar e Françoise Gilot.
A iniciativa coloca Vitória no circuito de grandes exposições internacionais e reforça a proposta do Sesc de ampliar o acesso à cultura e proporcionar ao público capixaba o contato com obras que normalmente circulam por museus e coleções europeias.
Mais do que apresentar Picasso como um gênio isolado, a exposição propõe uma leitura ampliada de sua trajetória, mostrando também pessoas e artistas que fizeram parte de seu percurso.
O acervo foi reunido a partir de duas coleções privadas italianas administradas pela The Art Company. Parte das peças está depositada no MARV – Museo d’Arte Rubini Vesin, localizado na cidade italiana de Gradara.
Entre os destaques estão gravuras de diferentes períodos da carreira do artista, incluindo Le Repas Frugal, de 1904, considerada uma de suas primeiras grandes gravuras e uma obra importante da arte do século XX.
A mostra também apresenta trabalhos da série Suite des Saltimbanques, inspirada no universo dos artistas circenses, a coleção Tauromaquia, produzida entre 1957 e 1959 e dedicada às touradas espanholas, além de gravuras inspiradas no conto A Obra-Prima Ignorada, de Honoré de Balzac.
Outro destaque são as 12 cerâmicas produzidas entre 1948 e 1959, no ateliê Madoura, em Vallauris, na França. Nesse período, Picasso transformou pratos, vasos e travessas em obras de arte, explorando novas possibilidades para materiais e objetos do cotidiano.
A presença de artistas que fizeram parte da vida de Picasso é um dos diferenciais da mostra.
São 31 obras de Dora Maar e Françoise Gilot, duas mulheres fundamentais na trajetória do artista espanhol.
Dora Maar será representada por 15 trabalhos, entre pinturas, desenhos, aquarelas e fotografias da série Le Temps Déborde. A exposição inclui ainda registros históricos da criação de Guernica, feitos por Maar enquanto Picasso trabalhava naquela que se tornaria uma das obras mais conhecidas da história da arte e um dos grandes símbolos contra a guerra.
Já Françoise Gilot participa da mostra com 16 litografias da série Pages d’Amour, produzida em 1951. Pintora e escritora reconhecida internacionalmente, Gilot desenvolveu uma trajetória artística própria e ocupa lugar importante na história da arte do século XX.
O percurso expositivo também conta com fotografias de Robert Capa, um dos mais importantes fotojornalistas do século XX. Os registros mostram momentos mais descontraídos de Picasso na França e ajudam a aproximar o visitante do homem por trás da figura consagrada do artista.
A exposição foi planejada para receber diferentes públicos, desde pessoas que nunca visitaram um museu até especialistas em arte.
Os espaços contarão com textos em linguagem acessível, recursos digitais, materiais educativos e ferramentas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Também serão realizadas visitas mediadas para estudantes de escolas públicas e privadas, mediante agendamento.
A proposta é transformar a exposição em uma experiência de aproximação com a arte, estimulando a criatividade e permitindo que o visitante compreenda as diferentes fases e linguagens exploradas por Picasso ao longo de mais de sete décadas de carreira.
A exposição integra a programação comemorativa dos 80 anos do Sesc-ES e simboliza, segundo a instituição, o compromisso com a democratização do acesso à cultura.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac, Idalberto Moro, receber a mostra representa um momento histórico para a cultura capixaba.
“Trazer ao Espírito Santo a exposição do artista Pablo Picasso representa um momento histórico para a cultura capixaba. É uma honra para o nosso Estado abrir o Circuito Nacional em celebração aos 80 anos do Sesc-ES com uma exposição dessa relevância, que projeta o Espírito Santo no cenário cultural brasileiro e reafirma o compromisso do Sesc de promover a cultura como instrumento de desenvolvimento humano, educação e qualidade de vida.”
O diretor regional do Sesc-ES, Richardson Schmittel, destaca o investimento da instituição na área cultural.
“Estamos ampliando nossos investimentos em cultura e promover uma exposição desse porte no Espírito Santo, de forma inédita, reforça o papel do Sesc-ES de democratizar a arte e colocar o nosso Estado na rota dos grandes eventos do país.”
Para o diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc, José Carlos Cirilo, a exposição representa a missão da instituição de ampliar o acesso dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo a experiências culturais.
“Celebrar os 80 anos do Sesc trazendo ao Brasil uma exposição desta dimensão simboliza aquilo que orienta nossa atuação há oito décadas: ampliar o acesso dos trabalhadores a experiências de excelência.”
Quem foi Pablo Picasso?
Nascido em Málaga, na Espanha, em 1881, Pablo Picasso demonstrou talento artístico desde criança. Ao longo de mais de 70 anos de carreira, produziu milhares de pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e cerâmicas.
Ao lado do francês Georges Braque, foi um dos responsáveis pela criação do Cubismo, movimento que revolucionou a pintura ao romper com formas tradicionais de representação e apresentar diferentes perspectivas de um mesmo objeto.
Entre suas obras mais conhecidas estão Guernica, Les Demoiselles d’Avignon, A Mulher que Chora e O Velho Guitarrista.
Picasso morreu em 1973, mas sua influência permanece presente na arte, no design, na publicidade e na cultura popular.
A influência de Picasso também ultrapassou as fronteiras da Europa e alcançou o Brasil. As ideias do Cubismo sobre formas, perspectivas e liberdade criativa contribuíram para o ambiente artístico que marcou o Modernismo brasileiro.
Artistas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Di Cavalcanti desenvolveram linguagens próprias, mas dialogaram com transformações que ocorriam na arte internacional e ajudaram a construir uma nova identidade para a produção artística brasileira.