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Pesquisa alerta para excesso de sal entre crianças

Estudo coordenado pela Ufes aponta que estudantes ingerem, em média, o dobro da quantidade de sódio recomendada pela Organização Mundial da Saúde

O consumo de sal entre crianças e adolescentes brasileiros está acima do recomendado e pode representar um fator de risco para a saúde no futuro. Um estudo inédito realizado em Vitória, coordenado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), revelou que estudantes de 6 a 17 anos consomem, em média, 8,8 gramas de sal por dia, mais que o dobro da quantidade indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda cerca de 4 gramas diárias.

A pesquisa, denominada Projeto KidSal, avaliou mais de 500 alunos de escolas públicas e particulares da capital capixaba. O levantamento é o primeiro do Brasil a medir o consumo de sódio em crianças e adolescentes por meio da análise da urina, considerada o método mais preciso para esse tipo de investigação.

O estudo faz parte das ações do Ministério da Saúde para monitorar o consumo de sal da população brasileira. Em 2010, o Brasil assumiu, junto à Organização das Nações Unidas (ONU), o compromisso de reduzir em 25% o consumo de sal da população até 2030. Para alcançar essa meta, é necessário conhecer os hábitos alimentares desde a infância.

Segundo os pesquisadores, aproximadamente 95% do sódio ingerido é eliminado pela urina. Por isso, a coleta de urina durante 24 horas permite calcular com precisão a quantidade de sal consumida no dia anterior. Até então, esse tipo de avaliação era realizado principalmente em adultos.

Além da coleta de urina, os estudantes participantes passaram por exames laboratoriais e avaliações médicas, permitindo uma análise mais ampla sobre os impactos da alimentação na saúde.

Nas escolas municipais de Vitória, profissionais da área de alimentação e nutrição trabalham para oferecer refeições equilibradas e incentivar hábitos saudáveis. No entanto, o maior desafio está fora do ambiente escolar, onde crianças e adolescentes têm acesso frequente a alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, embutidos, refrigerantes e produtos industrializados, geralmente ricos em sódio.

Especialistas alertam que o excesso de sal na infância pode aumentar o risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e problemas renais ao longo da vida. Além disso, a exposição precoce a alimentos muito salgados pode modificar o paladar das crianças, tornando mais difícil a aceitação de alimentos naturais e menos temperados.

A nutricionista Letícia Matrak destaca que os resultados do estudo servem como um importante alerta para as famílias. Segundo ela, reduzir gradualmente a quantidade de sal e alimentos ultraprocessados desde cedo contribui para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis e pode prevenir doenças crônicas na vida adulta.

Os pesquisadores pretendem expandir a metodologia para outras regiões do Brasil, permitindo um retrato nacional do consumo de sódio entre crianças e adolescentes. A expectativa é que os dados contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à promoção da alimentação saudável e à redução do consumo de sal na população brasileira desde os primeiros anos de vida.

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