Saúde

Novo medicamento amplia opções para reduzir o colesterol

Os avanços no tratamento do colesterol elevado ganharam uma nova opção com a aprovação, pela FDA, do Lipfendra (enlicitide), primeiro medicamento oral da classe dos inibidores de PCSK9. De uso diário, o comprimido apresentou redução média de 56% a 59% nos níveis do colesterol LDL, considerado o “colesterol ruim”, em estudos clínicos que avaliaram mais de 3 mil adultos.

Para a endocrinologista Gisele Lorenzoni, a chegada de novas terapias representa um avanço importante, especialmente para pacientes que precisam de uma redução adicional do LDL, mas não elimina a importância da prevenção e dos cuidados no dia a dia. “Os avanços da medicina ampliam nossas possibilidades de tratamento, mas o maior benefício acontece quando inovação, diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e hábitos saudáveis caminham juntos”, afirma.

O novo medicamento atua sobre a proteína PCSK9, mecanismo que já é utilizado em terapias injetáveis para reduzir o LDL. A diferença é que o enlicitide é administrado por via oral, uma alternativa que pode ampliar as possibilidades de tratamento para adultos com colesterol elevado, inclusive pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica.

A endocrinologista ressalta, porém, que a novidade não deve ser interpretada como substituta de mudanças no estilo de vida ou do acompanhamento médico. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso e avaliação periódica dos níveis de colesterol continuam fazendo parte da estratégia de prevenção cardiovascular. Além disso, a indicação e a escolha do tratamento devem ser individualizadas de acordo com o risco cardiovascular e as características de cada paciente.

A especialista explica ainda, que o remédio não é indicado para todos, porém, pacientes com hipercolesterolemia familiar, doença cardiovascular estabelecida ou aqueles que permanecem com colesterol elevado mesmo utilizando os tratamentos convencionais podem ser candidatos a terapias mais modernas,  mas somente após avaliação especializada.

A médica destaca que apesar do entusiasmo em torno da novidade, nenhuma inovação elimina a necessidade de acompanhamento médico criterioso e de uma abordagem individualizada. “Toda inovação precisa ser encarada com entusiasmo, mas também com responsabilidade. Os resultados dos estudos são bastante promissores, porém a indicação do tratamento deve considerar o perfil clínico, o histórico do paciente e as recomendações das diretrizes médicas”, conclui a endocrinologista Gisele Lorenzoni.

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