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Foodservice movimenta R$ 287,9 bilhões, mas fecha 277 mil negócios em 2025

Setor de alimentação fora do lar mantém forte movimentação econômica, mas alta rotatividade reforça a necessidade de gestão, planejamento e profissionalização

O mercado brasileiro de alimentação fora do lar movimentou R$ 287,9 bilhões em vendas em 2025, consolidando o foodservice como um dos segmentos de peso na economia nacional. Ao mesmo tempo, os números revelam um dos principais desafios enfrentados pelos empreendedores: a elevada rotatividade dos estabelecimentos.

Segundo a segunda edição do estudo ID Food Service, realizado pela Wise Sales em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o país encerrou o ano com mais de 1,19 milhão de estabelecimentos em atividade. Durante o período, foram abertas 420.093 empresas, enquanto 277.187 negócios encerraram suas atividades.

O setor representou ainda 28,3% do faturamento da indústria de alimentos no mercado interno em 2025.

Os microempreendedores individuais (MEIs) tiveram participação expressiva na movimentação do setor. Dos negócios abertos em 2025, 354 mil eram MEIs, o equivalente a 84,3% do total.

Entre os estabelecimentos que encerraram as atividades, aproximadamente 220,5 mil também pertenciam à categoria.

Os números mostram, de um lado, a facilidade de entrada no mercado de alimentação e, de outro, as dificuldades encontradas por muitos empreendedores para manter uma operação sustentável diante dos custos, da concorrência e da necessidade de organização administrativa.

O levantamento também identifica um movimento de amadurecimento empresarial. Em 2025, 288,7 mil negócios migraram do regime de MEI para estruturas empresariais mais robustas, sinalizando que uma parcela dos empreendedores conseguiu ampliar suas operações e avançar no processo de profissionalização.

Para o presidente da Abrasel-ES e idealizador do Food 360, Marcelo Uliana, os números reforçam que o potencial de crescimento do foodservice precisa estar acompanhado de uma gestão estruturada.

“Não existe crescimento consistente sem gestão. O empresário precisa conhecer os números do negócio para tomar decisões com segurança”, afirma.

Na avaliação do empresário, o aumento do movimento por si só não garante uma operação saudável. Uma casa cheia pode ter faturamento elevado e, ainda assim, apresentar margens reduzidas ou até prejuízo.

“Uma casa cheia não deve ser confundida automaticamente com uma operação lucrativa”, destaca Uliana.

Nesse cenário, o acompanhamento de custos, estoque, desperdícios, produtividade, formação de preços e capacidade de atendimento passa a ser fundamental para transformar o aumento das vendas em resultado financeiro.

Os desafios relacionados à administração dos negócios estarão entre os temas discutidos na terceira edição do Food 360, marcada para 28 de setembro, a partir das 8h, no Golden Tulip Vitória.

Idealizado por Marcelo Uliana, o encontro reunirá proprietários e gestores de bares, restaurantes e operações de delivery para um dia de conteúdo, capacitação e troca de experiências.

A programação terá discussões sobre gestão, marketing, delivery, tecnologia, contabilidade, pessoas e estruturação de negócios, com foco em ferramentas que possam ser aplicadas à rotina das empresas.

A proposta é abordar desde o controle financeiro e a organização dos processos até o uso de informações e indicadores para apoiar decisões empresariais.

Os dados do ID Food Service mostram um setor de grande dimensão econômica, mas também marcado por intensa movimentação de empresas.

Enquanto centenas de milhares de novos negócios entram no mercado, uma parcela significativa não consegue permanecer em atividade. Ao mesmo tempo, a migração de milhares de MEIs para estruturas empresariais mais robustas indica que também existe espaço para crescimento e amadurecimento dos negócios.

Para Marcelo Uliana, o cenário reforça a importância de preparar os empresários para administrar o negócio de forma profissional.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a qualidade do produto e do atendimento continua sendo fundamental, mas precisa caminhar lado a lado com planejamento, controle financeiro, conhecimento dos custos, gestão de pessoas e capacidade de tomar decisões com base em dados.

O desafio, portanto, não está apenas em abrir um restaurante, bar ou operação de delivery, mas em construir uma empresa capaz de permanecer competitiva e sustentável ao longo do tempo.

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