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Fim do semestre amplia sobrecarga dos professores

Reta final do semestre expõe sobrecarga enfrentada por professores e acende alerta para saúde mental

Com 2,4 milhões de docentes na educação básica, especialistas apontam que atividades realizadas fora da jornada prevista em lei contribuem para o desgaste da categoria

À medida que o primeiro semestre letivo se aproxima do fim, milhões de professores brasileiros enfrentam um período de intensificação das atividades profissionais. Além das aulas, o fechamento de notas, correção de provas, elaboração de relatórios e planejamento pedagógico ampliam a carga de trabalho dos educadores, que muitas vezes acabam levando essas tarefas para casa.

Segundo dados do Censo Escolar 2025, o Brasil conta atualmente com 2,4 milhões de docentes atuando na educação básica. Para muitos desses profissionais, junho representa uma das etapas mais exigentes do calendário escolar, evidenciando uma realidade que se estende ao longo de todo o ano.

Embora a Lei Federal nº 11.738, de 2008, estabeleça que um terço da carga horária dos professores da rede pública deve ser reservado às chamadas atividades extraclasse — como planejamento, avaliação e formação continuada —, a prática nem sempre corresponde ao que determina a legislação.

Para o advogado especialista em Direito do Magistério, Amarildo Santos, o trabalho docente vai muito além das horas passadas em sala de aula.

“O professor não trabalha apenas quando está em sala de aula. Existe toda uma estrutura de planejamento, preparação e avaliação que é essencial para o processo de ensino e aprendizagem. O problema é que, em muitos casos, esse tempo não é garantido de forma efetiva pelas redes de ensino”, afirma.

Segundo ele, a chamada hora-atividade não representa um privilégio, mas uma condição necessária para assegurar a qualidade do ensino e preservar a saúde dos profissionais.

“Existe um descompasso entre o que prevê a lei e a realidade das escolas. Muitos profissionais continuam levando atividades para casa, utilizando períodos que deveriam ser destinados ao descanso, à convivência familiar e à recuperação física e emocional”, destaca.

A discussão ocorre em um momento em que a saúde mental dos trabalhadores está cada vez mais em pauta. Em maio deste ano, entrou em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas e instituições a identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao ambiente de trabalho, incluindo fatores como pressão excessiva e sobrecarga.

O tema também ganhou relevância diante dos números registrados pelo Ministério da Previdência Social. Em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, o maior volume já registrado pelo sistema. Ansiedade e depressão estão entre as principais causas dos afastamentos.

Na avaliação de Amarildo Santos, a sobrecarga vivenciada pelos profissionais da educação precisa fazer parte desse debate.

“Quando o tempo destinado ao planejamento não é respeitado, o professor não deixa de realizar as tarefas. Ele apenas transfere esse trabalho para momentos que deveriam ser de descanso. Isso gera desgaste acumulado e contribui para um cenário de exaustão que tem sido cada vez mais relatado pela categoria”, explica.

O especialista ressalta que a valorização dos professores passa não apenas por remuneração adequada, mas também pelo cumprimento das normas que regulamentam a jornada de trabalho.

“Avaliar o desenvolvimento dos alunos exige tempo e atualizar conhecimentos exige dedicação. Quando essas etapas são comprometidas, toda a comunidade escolar é impactada. Garantir o cumprimento da lei é uma forma de proteger o professor e fortalecer a qualidade da educação”, conclui.

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