Falta de higiene pode favorecer o acúmulo de oleosidade, resíduos, bactérias e ácaros, aumentando o risco de inflamações e infecções oculares
A extensão de cílios se tornou uma das alternativas mais procuradas por mulheres que desejam praticidade na rotina e um olhar mais marcante. O procedimento, cada vez mais comum nos salões de beleza, exige, porém, cuidados rigorosos de higiene e manutenção para evitar problemas à saúde dos olhos.
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Segundo a médica oftalmologista Liliana Nóbrega, a região dos olhos é especialmente delicada e pode sofrer com o acúmulo de oleosidade, maquiagem, resíduos e micro-organismos quando a higienização dos cílios não é realizada corretamente.
Entre os micro-organismos que podem estar relacionados a alterações na região dos cílios está o ácaro Demodex folliculorum, encontrado naturalmente nos folículos pilosos, mas que pode estar associado a processos inflamatórios quando ocorre proliferação excessiva.
“Muitas mulheres evitam fazer a higienização correta dos olhos por medo de que os cílios caiam ou a cola descole. O resultado é o acúmulo diário de oleosidade e sujeira, que serve de terreno fértil para bactérias. Isso pode desencadear desde uma blefarite crônica até infecções mais sérias na córnea”, alerta a especialista.
A falta de higiene adequada ou o uso prolongado e inadequado das extensões pode favorecer o aparecimento de diferentes problemas na região dos olhos.
Blefarite: é uma inflamação das pálpebras que pode provocar coceira, vermelhidão, descamação, ardência e sensação de areia nos olhos.
Conjuntivite: a contaminação por micro-organismos pode contribuir para quadros infecciosos, acompanhados de vermelhidão, secreção, irritação e desconforto.
Ceratite: trata-se de uma inflamação da córnea que pode ser provocada por diferentes fatores. Em situações mais graves, pode haver lesão ou úlcera corneana e comprometimento da visão, exigindo atendimento médico.
Quem utiliza extensão de cílios não precisa necessariamente abrir mão do procedimento, mas deve adotar cuidados para reduzir riscos.
A primeira recomendação é escolher um profissional ou estabelecimento que siga boas práticas de higiene e biossegurança. Materiais e instrumentos utilizados no procedimento devem ser adequadamente higienizados, e os produtos aplicados na região dos olhos precisam ser apropriados para essa finalidade.
A limpeza dos cílios também deve fazer parte da rotina. De acordo com a orientação individual do oftalmologista, podem ser utilizados produtos específicos ou espumas de limpeza adequadas para a região dos olhos. A higienização deve ser delicada, principalmente na raiz dos cílios, sem esfregar agressivamente.
Outra medida importante é manter os fios organizados com uma escovinha própria e limpa, evitando o acúmulo de resíduos.
Também é importante respeitar o período recomendado para manutenção e observar sinais de irritação. Caso apareçam dor, inchaço, vermelhidão persistente, secreção, coceira intensa, sensibilidade à luz ou alteração na visão, a recomendação é procurar avaliação de um oftalmologista.
A extensão de cílios pode proporcionar praticidade e valorizar o olhar, mas os cuidados não terminam após a aplicação. A manutenção adequada e a higiene diária são essenciais para preservar a saúde das pálpebras, dos cílios naturais e, principalmente, dos olhos.
Em caso de sintomas oculares, a orientação é evitar a automedicação e não utilizar colírios por conta própria. A avaliação de um profissional é importante para identificar a causa do problema e indicar o tratamento adequado.