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Escala 6×1 em xeque no Brasil

Pressão por mais tempo livre impulsiona debate sobre fim da escala 6×1 no Brasil

A rotina de trabalhar seis dias seguidos para descansar apenas um tem sido cada vez mais questionada por trabalhadores brasileiros. O modelo, ainda predominante no país, está no centro de uma discussão que envolve qualidade de vida, produtividade e mudanças nas relações de trabalho — e já começa a ser colocado à prova em experiências práticas.

Hoje, a escala 6×1 faz parte da realidade de cerca de 75% dos trabalhadores com carteira assinada no Brasil, que cumprem jornadas de até 44 horas semanais. Para muitos, o formato tem se mostrado desgastante diante das demandas da vida moderna.

Uma pesquisa realizada no final de 2024 apontava que 64% dos brasileiros apoiavam o fim desse modelo. Em março deste ano, esse índice subiu para 71%, segundo levantamento do Datafolha, indicando uma mudança consistente na opinião pública.

No Espírito Santo, algumas empresas já decidiram testar alternativas. Na Grande Vitória, uma rede de supermercados passou a adotar a escala 5×2 em parte das lojas. A mudança mantém a carga horária semanal, mas distribui melhor os dias de trabalho, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial.

O impacto tem sido imediato na rotina dos funcionários. Com um dia extra de folga, tarefas antes acumuladas passam a ser resolvidas com mais tranquilidade, e o tempo para lazer e convivência familiar ganha espaço.

A discussão ganha força em um cenário de mercado aquecido, com maior oferta de vagas e dificuldade de contratação em alguns setores. Nesse contexto, benefícios relacionados à qualidade de vida se tornam diferenciais competitivos para atrair e manter profissionais.

Estudos também reforçam que a mudança pode não representar grandes perdas econômicas. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a redução da jornada teria impacto inferior a 1% nos setores de indústria e comércio, e cerca de 5% em áreas como serviços.

Além disso, especialistas destacam um possível efeito social positivo. Trabalhadores com menor renda e escolaridade são os mais expostos a jornadas mais longas. A redução do tempo de trabalho poderia abrir espaço para qualificação profissional e melhores oportunidades no mercado.

Apesar dos avanços no debate, o tema ainda enfrenta resistência. A Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES) avalia que mudanças amplas na jornada podem gerar insegurança jurídica e prejudicar principalmente pequenos negócios. A entidade defende que qualquer alteração seja resultado de negociação direta entre empresas e trabalhadores.

Com opiniões divididas, o futuro da escala 6×1 segue em discussão. Enquanto isso, experiências locais e a pressão da sociedade devem continuar influenciando os rumos de uma possível transformação no modelo de trabalho no país.

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