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Congo capixaba será tema de palestra sobre patrimônio cultural imaterial

Encontro promovido pelo IHGES reúne pesquisadora para discutir novas perspectivas de estudo, preservação e valorização de uma das mais importantes manifestações culturais do Espírito Santo

O Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES) dá continuidade ao seu Ciclo de Palestras com um encontro dedicado a uma das manifestações culturais mais representativas do Estado. Na próxima quarta-feira, 16 de setembro, às 18h30, o auditório Renato Pacheco, na sede do IHGES, em Vitória, recebe a Prof.ª Dra. Elisa Ramalho Ortigão, pesquisadora do congo no Espírito Santo, para falar sobre as perspectivas contemporâneas de pesquisa relacionadas ao patrimônio cultural imaterial capixaba.

Com o tema “Congo do Espírito Santo – perspectivas contemporâneas de pesquisa sobre o patrimônio imaterial”, a palestra pretende ampliar o debate sobre a importância da preservação de uma tradição que atravessa gerações e permanece presente na identidade cultural de diferentes comunidades capixabas.

As Bandas de Congo reúnem música, dança, poesia e religiosidade em manifestações marcadas pela devoção a São Benedito, além de estarem profundamente ligadas às tradições e celebrações populares do Espírito Santo.

O congo capixaba é considerado uma expressão cultural viva e singular, construída e preservada pelas próprias comunidades ao longo do tempo. Nos últimos anos, a manifestação passou a receber novas perspectivas de investigação acadêmica sob a ótica do patrimônio cultural imaterial, envolvendo parcerias entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e universidades federais.

Entre os trabalhos desenvolvidos estão estudos e a elaboração de dossiês voltados ao reconhecimento e registro patrimonial do congo, tanto no âmbito estadual quanto nacional. As pesquisas procuram documentar a história, os saberes, as práticas, os personagens e os diferentes elementos que compõem essa manifestação cultural.

A relação do congo com importantes celebrações religiosas também está entre os aspectos investigados, especialmente as manifestações associadas a São Benedito e à Festa da Penha, uma das maiores expressões de fé e cultura popular do Espírito Santo.

Outro aspecto que vem despertando a atenção dos pesquisadores é a forte participação feminina na preservação e transmissão dos saberes do congo.

Mulheres ocupam posições de destaque como rainhas, mestras de banda, organizadoras e guardiãs de tradições, contribuindo diretamente para a continuidade das manifestações culturais.

As pesquisas também observam a maneira como as comunidades mantêm suas raízes e tradições em diferentes localidades do Espírito Santo, incluindo regiões como Vila Velha e Barra do Jucu, onde o congo possui forte presença e importância para a identidade cultural local.

A educação patrimonial é outra frente importante nesse processo. A aproximação entre o congo e as escolas pode contribuir para que crianças e jovens conheçam a história e os valores culturais das comunidades onde vivem.

A inserção do congo nas práticas de ensino pode funcionar como uma ferramenta de valorização da cultura capixaba, aproximando as novas gerações de conhecimentos transmitidos tradicionalmente de forma oral e comunitária.

Mais do que preservar uma manifestação do passado, o trabalho de pesquisa busca compreender como o congo continua se transformando e ocupando novos espaços na sociedade contemporânea.

A palestra da professora Elisa Ramalho Ortigão será, portanto, uma oportunidade para discutir não apenas a memória do congo, mas também os caminhos para sua preservação, valorização, reconhecimento e transmissão às futuras gerações.

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