As dificuldades de acessibilidade em edifícios antigos, históricos e tombados, principalmente nos museus, são uma realidade, estando relacionadas com a falta de rampas, banheiros pequenos e sem adaptação, e a dificuldade para circular entre os móveis. Para garantir a acessibilidade, é necessário realizar obras e reformas que não alterem as características principais do imóvel.
A adaptação de imóveis tombados para atender às normas de acessibilidade é um processo que exige um equilíbrio delicado entre a preservação do patrimônio histórico e a necessidade de garantir acesso a todas as pessoas. Esses imóveis, protegidos por leis de tombamento, possuem características arquitetônicas e históricas que devem ser mantidas, o que limita as possibilidades de intervenções físicas.
A mobilidade e acessibilidade em áreas urbanas tombadas é um tema importante na gestão urbana e patrimonial, principalmente porque existem marcos legais a serem cumpridos. Na maior parte das cidades brasileiras essas questões ainda não estão resolvidas. O grande desafio é compatibilizar as intervenções necessárias para garantir a mobilidade e acessibilidade com a preservação do patrimônio tombado. As intervenções que buscam promover a acessibilidade e melhor mobilidade nos conjuntos urbanos tombados podem ter impacto positivo produzindo qualificação desses espaços, porque agregam elementos que valorizam a melhor circulação de pessoas, o uso de equipamentos urbanos e propiciam maior contato com o patrimônio e inclusão socioespacial.
Registramos as restaurações de dois importantes e muito visitados equipamentos históricos o Museu Casa da Memória de Vila Velha e o Museu atelier Homero Massena, ambos na Prainha de Vila Velha, e que receberam intervenções para acessibilidade de locomoção o que promoveu, em muito, o aumento da visitação dos portadores de necessidades especiais. Destaque especial para o Museu Casa da Memória que está realizando um extraordinário projeto realizado pelo IHGVV, patrocinado pela Petrobrás, via Lei Rouanet, com o apoio da PMVV, que é a inserção da tecnologia inclusiva no acervo histórico sobre a história da formação do nosso Estado, contemplando as deficiências de acessibilidade para visitantes, sejam físicas, sensoriais ou atitudinais. Em destaque as necessidades sensoriais, principalmente as táteis, permitindo a manipulação de réplicas das esculturas, maquetes e demais objetos expostos. Tudo isso com ferramentas de Inteligência artificial e realidade aumentada. Um espaço único do Espírito Santo e um dos mais modernos do país.
Convidamos a todos para participarem neste sábado, dia 29/08, às 15h, com entrada liberada da palestra e treinamento ministrado pela Flávia Torres, museólogo formada pela UNIRIO e mestre pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Portugal, e museóloga gestora do Museu Atelier Homero Massena, uma oportunidade para conversar, trocar conhecimentos e se atualizarem sobre a importância da acessibilidade nos museus para a democratização da cultura. Essa palestra será realizada em um local inusitado, será dentro do recém restaurado e histórico Bonde 42 que está em exposição permanente no Museu Casa da Memória de Vila Velha.
Manoel Goes Neto, escritor, produtor cultural e diretor no IHGES