Economia

Alta nas vendas do Dia dos Namorados reforça papel estratégico da tecnologia no varejo

O Dia dos Namorados é tradicionalmente associado a flores, perfumes, chocolates e presentes escolhidos com carinho. Para o varejo, porém, a data também representa um dos momentos mais desafiadores e lucrativos do calendário. Em 2025, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 8,02 bilhões no período, registrando crescimento de 15,1% em comparação ao ano anterior, segundo levantamento da Neotrust CONFI. O desempenho das vendas online superou o do varejo físico, reforçando uma realidade cada vez mais evidente: a experiência digital tornou-se decisiva para os resultados do setor.

Mas, por trás de cada compra concluída em poucos cliques, existe uma estrutura tecnológica complexa que precisa funcionar sem falhas. Em períodos de alta demanda, quando milhares de consumidores acessam simultaneamente aplicativos, sites e sistemas de pagamento, qualquer lentidão pode significar perda de vendas e insatisfação do cliente.

Para o CTIO da Globalsys, Beto Yunes, datas sazonais funcionam como um verdadeiro teste de resistência para as empresas. “Datas sazonais como o Dia dos Namorados são o teste definitivo da sua arquitetura. Não adianta ter o melhor produto ou a melhor campanha se o seu banco de dados trava quando milhares de clientes tentam finalizar a compra ao mesmo tempo. A tecnologia precisa ser invisível para o consumidor e isso só acontece quando ela foi planejada para suportar o pico, não apenas o dia a dia”, afirma.

A jornada de compra atual depende de uma série de operações que acontecem em segundos. Consultas de estoque, validação de preços, atualização de carrinhos e processamento de pagamentos passam continuamente pelos bancos de dados das empresas. Em datas especiais, esse fluxo se multiplica exponencialmente e exige uma infraestrutura preparada para absorver a sobrecarga sem comprometer a experiência do usuário.

Para garantir estabilidade, organizações investem em recursos como particionamento de dados, replicação de leitura e sistemas inteligentes de cache, capazes de distribuir a demanda e manter a consistência das informações em todos os canais. “Um banco de dados mal dimensionado para sazonalidade é como uma loja com uma única caixa registradora no dia mais movimentado do ano”, compara Yunes.

O desafio se torna ainda maior diante do comportamento omnicanal do consumidor. Hoje, o cliente navega entre aplicativo, loja física e site sem fazer distinção entre os canais. Ele espera encontrar as mesmas informações, os mesmos preços e a mesma disponibilidade de produtos em qualquer ambiente. Para isso, sistemas de gestão, plataformas de e-commerce, estoques, meios de pagamento e ferramentas de relacionamento precisam operar de forma integrada e em tempo real.

Segundo Yunes, arquiteturas baseadas em APIs e middlewares resilientes são fundamentais para garantir essa sincronização. “Nossos clientes que operam com arquitetura integrada conseguem atualizar o estoque unificado em milissegundos, tanto para o cliente que está na fila do caixa quanto para o que está navegando pelo celular. Isso é o que garante que ninguém leve a decepção de ter o pedido cancelado após o pagamento aprovado”, explica.

Além da infraestrutura, a inteligência artificial vem assumindo papel cada vez mais relevante na estratégia comercial das empresas. Sistemas de recomendação analisam hábitos de navegação, histórico de compras e preferências dos consumidores para sugerir produtos com maior potencial de conversão, especialmente em momentos em que o cliente busca praticidade e rapidez para decidir.

A IA também contribui para o planejamento operacional. Por meio de modelos preditivos, varejistas conseguem antecipar comportamentos de consumo, estimar volumes de transações e preparar suas estruturas com maior precisão. “Usamos modelos preditivos para estimar o volume de transações esperado por hora, por categoria e por canal. Com isso, escalamos a infraestrutura de forma cirúrgica, sem desperdício e sem surpresas”, destaca o executivo.

Em um mercado cada vez mais digital, o sucesso nas grandes datas promocionais depende menos da capacidade de atrair consumidores e mais da habilidade de sustentar toda a operação quando eles chegam. E, nesse cenário, tecnologia deixou de ser suporte para se tornar protagonista dos resultados.

Leia também