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Além da poupança: como fazer o dinheiro render mais

Capixabas buscam alternativas à poupança para fazer o dinheiro render mais

Especialista orienta investidores iniciantes sobre como dar os primeiros passos com segurança e estratégia no mercado financeiro

Durante décadas, a poupança foi a principal porta de entrada dos brasileiros para o hábito de guardar dinheiro. Simples, acessível e amplamente conhecida, ela se tornou sinônimo de segurança financeira para milhões de pessoas. No entanto, em um cenário econômico cada vez mais dinâmico, especialistas alertam que manter recursos exclusivamente na caderneta pode significar perda de oportunidades de crescimento patrimonial.

Dados da B3 mostram que o número de investidores brasileiros continua em expansão. Em todo o país, já são quase 5,5 milhões de investidores pessoa física em renda variável, impulsionados pela entrada de mais de 205 mil novos CPFs na bolsa somente em 2025. No Espírito Santo, o movimento também ganha força: o estado registrou crescimento de 4,83% no número de investidores, passando de 109 mil em 2024 para mais de 114 mil neste ano.

Para Cecília Perini, líder da XP no Espírito Santo, o avanço revela uma transformação no comportamento financeiro da população. Segundo ela, o principal desafio atualmente não é o acesso aos investimentos, mas o conhecimento sobre as alternativas disponíveis.

“Muitas pessoas permanecem concentradas em uma única solução por desconhecerem outras possibilidades que também são seguras e oferecem maior potencial de rendimento. Quando o poupador dá os primeiros passos como investidor, passa a compreender melhor seus objetivos e as alternativas disponíveis, conseguindo tomar decisões mais conscientes e alinhadas ao que espera do próprio dinheiro”, destaca.

Os números reforçam essa tendência. Dados divulgados pelo Banco Central apontam que, em 2025, os brasileiros retiraram mais de R$ 85 bilhões líquidos da poupança. O movimento indica uma busca crescente por aplicações capazes de oferecer maior rentabilidade sem abrir mão da segurança.

Estudos de mercado mostram que a diferença de rendimento pode ser significativa ao longo dos anos. Em algumas simulações, um investimento de R$ 100 mil mantido na poupança por uma década pode render até R$ 130 mil menos do que aplicações conservadoras mais eficientes disponíveis no mercado.

Além disso, especialistas lembram que a rentabilidade da poupança nem sempre acompanha a inflação, o que pode comprometer o poder de compra dos recursos ao longo do tempo.

Ao contrário do que muitos imaginam, migrar da poupança para outros investimentos não significa assumir riscos elevados. Segundo Cecília Perini, a transição pode ser feita de forma gradual e planejada.

“Não se trata de abrir mão da segurança, mas de dar um próximo passo. O investidor pode sair da poupança de forma gradual, preservando liquidez e controle”, afirma.

O primeiro passo, segundo a especialista, é organizar as finanças pessoais e construir uma reserva de emergência, destinada a imprevistos e despesas urgentes. Nesse estágio, a prioridade deve ser a liquidez e o fácil acesso aos recursos.

Após essa etapa, o investidor pode considerar alternativas como o Tesouro Selic, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e títulos isentos de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Para especialistas do mercado financeiro, a educação financeira tem papel decisivo nesse processo de transformação. Com mais informação e planejamento, os investidores conseguem alinhar suas aplicações aos objetivos de curto, médio e longo prazo.

No Espírito Santo, o crescimento do número de investidores reflete justamente esse movimento de busca por maior autonomia financeira e melhor utilização dos recursos. A avaliação é que, mais do que abandonar a poupança, o importante é compreender que existem alternativas capazes de oferecer maior eficiência na construção do patrimônio.

Ao final, o recado dos especialistas é claro: fazer o dinheiro trabalhar a favor dos objetivos financeiros não exige assumir riscos desnecessários, mas sim conhecer melhor as opções disponíveis e adotar estratégias compatíveis com cada perfil de investidor.

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