A Lúcia Livraria inicia o clube no dia 11 de maio com Casa tomada, de Julio Cortázar, leitura em voz alta e debate aberto ao público
Tem algo de radical acontecendo em Iriri, balneário do litoral sul do Espírito Santo. Uma livraria de 50 m², de frente para o mar, está convidando pessoas a fazerem uma coisa cada vez mais rara: parar. Sentar-se. E ler, juntos, em voz alta.
No dia 11 de maio, a partir das 18h, a Lúcia Livraria inaugura o Clube do Conto, um encontro mensal que propõe uma virada simples e poderosa na lógica dos clubes de leitura tradicionais. Ninguém precisa ter lido nada antes de chegar. O conto é lido no próprio encontro, em voz alta, por todos. E depois, a conversa acontece.
A escolha não é ingênua. É uma resposta direta a um problema que a idealizadora da livraria, a publicitária Elisa Quadros, observou ao longo de mais de 15 anos frequentando e organizando clubes de leitura: muita gente não vai ao encontro porque não terminou o livro. “Com o conto, é possível ler em voz alta, porque as narrativas são mais curtas, e todos conseguem participar”, explica. A leitura deixa de ser tarefa. Volta a ser experiência.
Para estrear, a escolha é à altura da proposta: Casa tomada, de Julio Cortázar. Um dos maiores contos da literatura latino-americana, publicado em 1946, em que o inexplicável não é explicado, apenas vivido. Uma história sobre o que escolhemos não nomear, aberta a múltiplas interpretações, que há décadas resiste a qualquer leitura única. Exatamente o tipo de texto que pede conversa.
O Clube do Conto acontecerá mensalmente, sempre na segunda semana do mês, às segundas-feiras, às 18h. Com o engajamento dos participantes, a proposta deve se expandir: clubes de leitura de romances e, no horizonte, uma ideia que Elisa carrega com entusiasmo — livros para ver, em que leitores leem a obra e assistem ao filme, comparando as duas linguagens. “A livraria nasceu para fazer as pessoas ficarem. O Clube do Conto é mais uma razão para elas voltarem. E em Iriri, esse movimento tem cheiro de café e vista para o mar”, afirma Elisa.