“Ambos os artistas contemplados, têm vasta participação em exposições, eventos e encontros de divulgação e disseminação da arte e da cultura dos povos originários. Temos no ES mais de 14 mil indígenas. Em Santa Cruz, distrito de Aracruz temos 12 aldeias indígenas de etnia Guarani e Tupiniquim, participar e ganhar esse edital do IHGVV é muito importante para o nosso povo, pois estamos levando para a cidade a nossa arte, onde utilizamos 90% dos materiais retirados das matas, e a visão do povo originário sobre a chegada dos portugueses colonizadores ocupando as nossas terras – afirma a artista e organizadora da exposição, de origem guarani Ara Martins.
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Pesquisas estão sendo realizadas pelo IHGVV em conjunto com um importante grupo de pesquisadores indianistas, quase todos com DNA indígena, e também com estreito contado com grupos indígenas de Aracruz, para pesquisas e estudos visando a reescrita e aprimoramento dessa nossa história. Segundo vários historiadores, os olhares indígenas sobre a colonização do Brasil representam uma perspectiva fundamental para compreender que os povos nativos não foram apenas “descobertos” ou vítimas passivas, mas agentes ativos e protagonistas em um cenário de complexas interações, conflitos e negociações. Enquanto a narrativa eurocêntrica focou no “descobrimento” e na catequização, a perspectiva indígena relata uma invasão de territórios (Pindorama), desconstruindo o mito da conquista pacífica e enfatizando a resistência contínua.
“Para isso está sendo considerada, de maneira essencial, a perspectiva sob o olhar e sentimentos dos povos originários que aqui estavam e dos negros escravizados que vieram depois. Ambos fundamentais para a cultura e formação da nossa gente, influenciando costumes, a língua, a alimentação e o desenvolvimento das terras capixabas, do nosso estado do Espírito Santo” informa o presidente do IHGVV Luiz Paulo Rangel.
Também fará parte dessa exposição “Olhares Indígenas”, a releitura do painel em exposição no museu Casa da Memória, “A Chegada”, pintura do artista canela-verde Rodolpho Valdetaro, agora com olhares sob o ponto de vista dos povos originários que aqui viviam, quando, em 23 de maio de 1535 o Donatário Vasco Fernandes Coutinho e sua tropa armada aportou na Prainha tendo as suas botas cobertas de algas e musgos, que deram a origem ao termo “canelas-verdes”, nomes associados ao nascidos na cidade de Vila Velha, além da representação dos indígenas da tribo Goitacaz e da exuberando mata atlântica , tendo o imponente morro do Mestre Álvaro ao fundo.