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Exposição Olhares Indígenas chega a Vila Velha trazendo a arte ancestral Guarani 

Com o objetivo de revisar a visão histórica europeia da colonização da Capitania do Espírito Santo, com uma visão diferente de contar nossa história, o IHGVV Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha convida a todos para visitarem e conhecerem, a partir de 12 de maio, dentro dos festejos do aniversário de 491 de Vila Velha, na galeria do Museu Casa da Memória, na Prainha, onde os vencedores do edital de chamamento  Lei Aldir Blanc, artistas guaranis, da Aldeia Boa Esperança de Santa Cruz, em Aracruz, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani  apresentam sua arte ancestral indígena: de pinturas, esculturas, utensílios, cestaria e artesanato em palha.

“Ambos os artistas contemplados, têm vasta participação em exposições, eventos e encontros de divulgação e disseminação da arte e da cultura dos povos originários. Temos no ES mais de 14 mil indígenas. Em Santa Cruz, distrito de Aracruz temos 12 aldeias indígenas de etnia Guarani e Tupiniquim, participar e ganhar esse edital do IHGVV é muito importante para o nosso povo, pois estamos levando para a cidade a nossa arte, onde utilizamos 90% dos materiais retirados das matas, e a visão do povo originário sobre a chegada dos portugueses colonizadores ocupando as nossas terras – afirma a artista e organizadora da exposição, de origem guarani Ara Martins.

Pesquisas estão sendo realizadas pelo IHGVV em conjunto com um importante grupo de pesquisadores indianistas, quase todos com DNA indígena, e também com estreito contado com grupos indígenas de Aracruz, para pesquisas e estudos visando a reescrita e aprimoramento dessa nossa história. Segundo vários historiadores, os olhares indígenas sobre a colonização do Brasil representam uma perspectiva fundamental para compreender que os povos nativos não foram apenas “descobertos” ou vítimas passivas, mas agentes ativos e protagonistas em um cenário de complexas interações, conflitos e negociações. Enquanto a narrativa eurocêntrica focou no “descobrimento” e na catequização, a perspectiva indígena relata uma invasão de territórios (Pindorama), desconstruindo o mito da conquista pacífica e enfatizando a resistência contínua.

“Para isso está sendo considerada, de maneira essencial, a perspectiva sob o olhar e sentimentos dos povos originários que aqui estavam e dos negros escravizados que vieram depois. Ambos fundamentais para a cultura e formação da nossa gente, influenciando costumes, a língua, a alimentação e o desenvolvimento das terras capixabas, do nosso estado do Espírito Santo” informa o presidente do IHGVV Luiz Paulo Rangel.

Também fará parte dessa exposição “Olhares Indígenas”, a releitura do painel em exposição no museu Casa da Memória, “A Chegada”, pintura do artista canela-verde Rodolpho Valdetaro, agora com olhares sob o ponto de vista dos povos originários que aqui viviam, quando, em 23 de maio de 1535  o Donatário Vasco Fernandes Coutinho e sua tropa armada aportou na Prainha tendo as suas botas cobertas de algas e musgos, que deram a origem ao termo “canelas-verdes”, nomes associados ao nascidos na cidade de Vila Velha, além da representação  dos indígenas  da tribo Goitacaz e da exuberando mata atlântica , tendo o  imponente morro do Mestre Álvaro ao fundo.

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