Espírito Santo entra na rota global do descomissionamento e pode atrair R$ 4,8 bilhões em investimentos
Evento inédito da Findes reúne lideranças nacionais e internacionais e posiciona o Estado como polo estratégico da nova indústria ligada ao petróleo e gás
Nesta quarta-feira (25), o Espírito Santo deu um passo decisivo para se consolidar em um novo segmento da economia global. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) realizou, na tarde desta quarta-feira (25), o Fórum Internacional de Descomissionamento, evento inédito que coloca o Estado no centro das discussões sobre a desativação e reciclagem de plataformas offshore — uma indústria que pode movimentar cerca de R$ 4,8 bilhões na economia capixaba nos próximos anos.
Com participação de autoridades, especialistas e empresas europeias, o encontro abre espaço para a construção de parcerias e atração de investimentos em uma área considerada estratégica para o futuro do setor de óleo e gás.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, destacou que o descomissionamento representa uma nova fronteira de desenvolvimento para o Estado, alinhada à chamada economia azul e à transição energética.
Segundo ele, o Espírito Santo reúne condições favoráveis para liderar esse movimento no Brasil, como localização estratégica, infraestrutura portuária e uma base industrial diversificada.
“Estamos falando de uma cadeia produtiva complexa, que envolve desde logística até tecnologia de ponta, com potencial de gerar empregos qualificados e novos negócios. O Espírito Santo pode se tornar referência nacional nesse segmento”, afirmou.
Dados apresentados durante o evento indicam que já existem 26 projetos de descomissionamento aprovados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), além de investimentos previstos que ultrapassam US$ 1 bilhão no Estado.
O fórum também marca a continuidade de uma articulação internacional iniciada em missões técnicas realizadas na Europa, especialmente no Reino Unido e na Noruega — países considerados referência mundial no setor.
A proposta é adaptar modelos de sucesso à realidade brasileira, criando um ambiente regulatório e de negócios capaz de atrair empresas especializadas e fomentar a cadeia produtiva local.
Representantes de organizações internacionais e empresas estrangeiras participam do evento em busca de oportunidades no mercado brasileiro, que começa a estruturar suas primeiras operações de descomissionamento em larga escala.
O descomissionamento vai além da retirada de estruturas marítimas. O processo envolve planejamento técnico, segurança ambiental e, principalmente, a reutilização e reciclagem de materiais.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Márcio Félix, trata-se de uma atividade com forte impacto econômico e ambiental.
“Não é apenas o fim de um ciclo. É o início de uma nova cadeia de valor, com reaproveitamento de materiais, geração de novos negócios e foco em sustentabilidade”, destacou.
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Um dos momentos marcantes do evento foi a homenagem prestada pelo presidente da Findes ao governador Renato Casagrande. Durante a solenidade, Paulo Baraona destacou a atuação do chefe do Executivo estadual ao longo dos últimos anos na construção de um ambiente favorável ao desenvolvimento industrial.
Na homenagem, o presidente da entidade ressaltou o papel do governo na atração de investimentos, no fortalecimento da competitividade e na parceria com o setor produtivo, especialmente em momentos desafiadores como a pandemia.
“Não existe país soberano sem indústria forte, e o Espírito Santo avançou muito nesse sentido com diálogo, planejamento e visão de futuro”, pontuou.
Visivelmente emocionado, Casagrande agradeceu o reconhecimento e destacou que os resultados alcançados são fruto de um trabalho coletivo.
O governador reforçou o compromisso do Estado em apoiar o desenvolvimento do setor e destacou que a indústria é fundamental para o crescimento econômico.
“O Espírito Santo tem potencial para transformar essa oportunidade em atividade concreta, gerando emprego, renda e desenvolvimento. Estamos preparados para receber investimentos e fortalecer essa nova indústria”, afirmou.
Também participaram do evento a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e representantes do setor produtivo e da bancada federal capixaba com o deputado Da Vitoria .
Apesar do grande potencial, especialistas avaliam que o desenvolvimento pleno da cadeia de descomissionamento ainda depende de avanços regulatórios, capacitação de mão de obra e investimentos em infraestrutura.
A expectativa é que os primeiros resultados mais concretos comecem a aparecer nos próximos anos, à medida que projetos avancem e empresas se instalem no Estado.