Saúde

Março Amarelo acende alerta para a endometriose, doença que afeta milhões de mulheres

Campanha reforça importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento ginecológico regular

O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, uma doença inflamatória crônica que atinge cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva. Apesar de comum, a condição ainda é cercada de desinformação, o que contribui para atrasos no diagnóstico e sofrimento prolongado.

A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, intestino e até a bexiga. Esse crescimento provoca inflamação, dor intensa e pode impactar diretamente a fertilidade.

Segundo a ginecologista da Rede Meridional Mariana Andreata, o principal sintoma da doença é a dor pélvica, especialmente durante o período menstrual. “Não é normal sentir cólicas incapacitantes a ponto de faltar ao trabalho ou à escola. A dor intensa e progressiva precisa ser investigada”, alerta a médica.

Ela explica que outros sinais também merecem atenção. “Além das cólicas fortes, a paciente pode apresentar dor durante a relação sexual, dor para evacuar ou urinar no período menstrual e dificuldade para engravidar. Muitas vezes, esses sintomas são negligenciados ou tratados como algo comum, o que atrasa o diagnóstico”, afirma.

O diagnóstico da endometriose pode envolver avaliação clínica detalhada, exame físico e exames de imagem, como ultrassonografia com preparo intestinal ou ressonância magnética. Em alguns casos, a confirmação pode ocorrer por meio de laparoscopia.

De acordo a médica da Rede Meridional, o tratamento deve ser individualizado. “Não existe uma única abordagem. Podemos optar por tratamento medicamentoso, com uso de anticoncepcionais ou outras terapias hormonais para controlar a progressão da doença e aliviar os sintomas. Em situações específicas, a cirurgia pode ser indicada”, explica.

Mariana destaca ainda que a endometriose não tem cura definitiva, mas pode ser controlada. “Com acompanhamento adequado, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida da paciente. O mais importante é não normalizar a dor e buscar ajuda especializada”, reforça.

O Março Amarelo surge, portanto, como um importante instrumento de informação e acolhimento. Falar sobre endometriose é dar voz a milhões de mulheres que convivem com dor silenciosa. A conscientização é o primeiro passo para reduzir o tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico, promovendo mais saúde e qualidade de vida.

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