Comemorado em 25 de fevereiro, o Dia do Agronegócio destaca a força de um dos principais motores da economia brasileira e capixaba. O setor engloba todas as etapas da cadeia produtiva — da produção no campo ao processamento, distribuição e comercialização de produtos agrícolas e pecuários — e tem papel decisivo na geração de emprego, renda e no equilíbrio da balança comercial do país.
Os números confirmam essa relevância. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio alcançou R$ 2,72 trilhões em 2024, o equivalente a 23,2% do PIB brasileiro no período.
Além do impacto interno, o agronegócio é protagonista no comércio exterior. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações do segmento somaram US$ 169,2 bilhões em 2025, representando 48,5% de tudo o que o Brasil exportou no ano passado.
No Espírito Santo, o desempenho também foi expressivo. O agronegócio capixaba fechou o mesmo período com US$ 3,21 bilhões em exportações — o segundo maior valor da série histórica. Ao todo, 2,4 milhões de toneladas de produtos foram enviados para 133 países, com destaque para Estados Unidos, Turquia e México. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
O Estado vem se consolidando como referência nacional em diversas culturas. De acordo com o Anuário do Agronegócio Capixaba 2025, publicado pelo Portal Conexão Safra, o Espírito Santo lidera a produção brasileira de café conilon, pimenta-do-reino, gengibre, inhame e chuchu. O levantamento também aponta o Estado em segundo lugar na produção de mamão e ovos de codorna, além de figurar entre os cinco maiores produtores de café arábica, cacau, tomate, morango, abacate e repolho. Outras culturas, como tangerina, coco, batata-baroa, seringueira e banana, ganham espaço e relevância.
A banana, inclusive, é a principal matéria-prima da Doces Fardin, agroindústria sediada em Vargem Alta, na Região Serrana capixaba. Criada em fevereiro de 2004, a empresa familiar produz cerca de 200 toneladas mensais de um mix com 28 produtos. A produção é distribuída para aproximadamente 300 municípios do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, além de Manaus e Pernambuco.
O caso da Doces Fardin exemplifica a importância da agricultura familiar para o agronegócio capixaba e nacional. A empresa mantém parceria com a comunidade Amigos do Campo, formada por 150 famílias de pequenos produtores rurais da região. Juntas, elas produzem cerca de 352 toneladas de banana por mês, com 100% da produção adquirida pela agroindústria. A comercialização garante um faturamento anual estimado entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões para as famílias envolvidas.
Para Romildo Fardin, um dos fundadores da empresa, o impacto do agronegócio vai muito além da produção rural. “As etapas de preparação do solo, plantio, crescimento e colheita da banana e de outras frutas e hortaliças exigem adubos, fertilizantes, máquinas, equipamentos e mão de obra qualificada. Já na fase de comercialização, entram caixas, transporte e logística. Tudo isso movimenta a economia e gera emprego e renda”, destaca.