Cultura

Sesc Glória recebe Eduardo Moscovis em “O Motociclista no Globo da Morte”

Com uma performance vencedora do Prêmio Shell de Melhor Ator, Moscovis se apresenta nos dias 19 e 20 de setembro, no Centro Cultural Sesc Glória
O Centro Cultural Sesc Glória vai receber o ator Eduardo Moscovis em uma performance provocante de “O Motociclista no Globo da Morte”, que rendeu ao artista, no último mês de março, o Prêmio Shell de Melhor Ator — o mais tradicional reconhecimento das artes cênicas no país e o primeiro de sua carreira. A apresentação faz parte do projeto Grandes Espetáculos, do Sesc Espírito Santo, e será realizada nos dias 19, às 19h30, e 20 de setembro, às 18h, no Teatro Glória.
A montagem “O Motociclista no Globo da Morte”, do dramaturgo, diretor e ator Leonardo Netto, marca a primeira parceria de Eduardo Moscovis com o diretor Rodrigo Portella. Os ingressos já estão disponíveis no site Let’s Events, com valores de R$ 50 para comerciários, meia-entrada e entrada solidária; R$ 55 para conveniados e comerciantes; e R$ 100 para a inteira.
Fique atento: a classificação indicativa é de 14 anos e o espetáculo possui descrição gráfica de violência e cenas que podem despertar gatilhos emocionais. Ao contar uma história que, em tese, poderia acontecer com qualquer um, o espetáculo provoca ao diluir as fronteiras entre vítima e algoz, civilizado e selvagem.
O que mais me cativou no texto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que, assim como seu antagonista — um homem vil em todos os aspectos —, pode se igualar a ele ao cometer um ato de extrema violência”, conta Eduardo Moscovis.
Depois de assistir, em uma rede social, a um vídeo de extrema violência, o diretor Leonardo Netto passou a se questionar sobre o que leva alguém a cometer um ato violento — e também a filmá-lo, publicá-lo e consumi-lo. Outras questões emergiram, como o fascínio e a idolatria por assassinos, psicopatas e serial killers ao longo da história.
A espetacularização, a romantização e a banalização da violência, potencializadas pela multiplicação de câmeras e pela internet, talvez nos tornem mais insensíveis a ela”, reflete o autor Leonardo Netto. O incômodo persistiu até que ele decidiu escrever a peça como forma de elaborar essa experiência. “O título surgiu como uma metáfora da iminência do desastre. Assim como no globo da morte, vivemos tentando nos desviar da catástrofe o tempo inteiro”, revela.
Para construir a dramaturgia e o espaço cênico, Portella optou por uma encenação minimalista. “O espetáculo acontece na cabeça do espectador. Qualquer elemento concreto seria uma distração. O personagem constrói um discurso que se aproxima da literatura, convocando o público a imaginar. Temos, assim, uma relação íntima e direta entre ator e espectador do início ao fim”, afirma o diretor.
Mesmo com a ausência da contracenação, que é um dos grandes desafios do monólogo, fui arrebatado pelo texto do Leo, e o processo tem sido muito prazeroso”, complementa Moscovis.

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