Distribuidora amplia equipes, investe R$ 5 bilhões até 2030 e aposta em tecnologia para reduzir impactos de chuvas, ventos fortes e outros eventos climáticos extremos
A previsão de um verão marcado pela influência do fenômeno El Niño levou a EDP a antecipar as ações do Plano Verão 2026/2027 no Espírito Santo. A estratégia reúne reforço operacional, monitoramento meteorológico, manutenção preventiva, ampliação da automação da rede e integração com órgãos públicos para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos e agilizar o restabelecimento do fornecimento de energia.
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O anúncio foi feito nesta quinta-feira (3), durante coletiva de imprensa realizada no Centro de Operação Integrado (COI) da EDP, em Carapina, na Serra. Participaram do encontro o diretor-presidente de Distribuição da EDP, Dyogenes Rosi; o diretor da EDP no Espírito Santo, Marcos Campos; o chefe da Defesa Civil Estadual, coronel BM Benício Ferrari Junior; o representante do Climatempo, Pedro Regoto; e o prefeito da Serra, Weverson Meireles, entre outras autoridades.
A concessionária atende mais de 1,8 milhão de clientes no Espírito Santo, em 70 municípios. Para enfrentar um período que poderá apresentar episódios de chuva intensa, ventos fortes, calor e também períodos de estiagem, a empresa afirma ter ampliado sua capacidade de resposta.
“O cenário climático exige planejamento, preparação e capacidade de adaptação. Com a perspectiva de um verão influenciado pelo El Niño, a EDP reforça seu compromisso de manter o sistema elétrico cada vez mais resiliente diante de eventos climáticos extremos. Estamos investindo em tecnologia, modernização da rede, capacitação de equipes e ações preventivas em toda a área de concessão para garantir um fornecimento de energia mais seguro, confiável e de qualidade para a população capixaba”, afirmou Dyogenes Rosi.
Durante a apresentação, o representante do Climatempo, Pedro Regoto, explicou que o cenário climático para os próximos meses exige atenção especial. A previsão apresentada aponta para um período de transição com diferentes comportamentos de chuva e temperatura.
Setembro e outubro tendem a registrar volumes de chuva acima da média em determinadas áreas. Já novembro e dezembro devem apresentar características mais quentes e secas. Para janeiro e fevereiro de 2027, a tendência apresentada é de aumento das chuvas, enquanto março pode voltar a registrar um cenário relativamente mais seco.
O fenômeno El Niño poderá ganhar força ao longo dos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade elevada. O comportamento do fenômeno aumenta a necessidade de planejamento por parte das empresas de infraestrutura e dos órgãos responsáveis pela resposta a emergências.
Segundo Regoto, o cenário exige atenção porque o El Niño pode contribuir para mudanças importantes nos padrões de temperatura e precipitação, aumentando a possibilidade de ocorrência de extremos climáticos.
A preparação para o verão faz parte de um ciclo maior de investimentos da EDP no Espírito Santo. Entre 2025 e 2030, a empresa prevê aplicar aproximadamente R$ 5 bilhões no Estado em expansão, modernização e digitalização da rede elétrica.
Segundo a companhia, o volume representa um aumento de cerca de 40% em relação ao ciclo anterior de investimentos.
Atualmente, a EDP possui 117 subestações e atua nos 70 municípios de sua área de concessão. A estrutura também conta com uma rede própria de telecomunicações que cobre 100% da área atendida, permitindo comunicação entre centros de operação e equipamentos instalados em campo.
O diretor da EDP no Espírito Santo, Marcos Campos, destacou durante a coletiva que a energia elétrica é fundamental para o funcionamento de praticamente todos os serviços da sociedade e que a modernização da infraestrutura é uma das prioridades da companhia.
“A nossa missão é garantir que a energia continue chegando para os nossos clientes, principalmente nos momentos em que eles mais precisam”, afirmou.
Um dos principais investimentos da EDP está relacionado à automação da rede elétrica. Cerca de 80% dos clientes capixabas já são atendidos pela tecnologia self-healing, que permite identificar uma falha, isolar automaticamente o trecho afetado e restabelecer o fornecimento para consumidores que possam ser atendidos por circuitos alternativos.
A empresa possui aproximadamente 2.720 dispositivos automatizados na rede. Em uma ocorrência, o sistema consegue identificar o problema e realizar manobras automaticamente, reduzindo o número de consumidores afetados e o tempo de interrupção.
A expectativa é que, em determinadas ocorrências, milhares de consumidores tenham o fornecimento restabelecido em poucos minutos sem a necessidade de intervenção manual imediata.
Outro avanço é o Advanced Distribution Management System (ADMS), plataforma que integra monitoramento, controle e operação da rede em um único ambiente. A tecnologia está em fase final de implantação e deverá ampliar a capacidade de análise e tomada de decisão durante ocorrências.
O novo Centro de Operação Integrado, inaugurado em 2026, também passou a concentrar ferramentas para o acompanhamento da rede em tempo real, permitindo maior integração entre o centro de controle e as equipes de campo.
A operação do Plano Verão também prevê uma ampliação significativa do número de equipes mobilizadas em caso de eventos severos.
A EDP mantém centros de distribuição e bases avançadas espalhados pela área de concessão. Em situações de maior gravidade, a empresa pode aumentar em até sete vezes sua estrutura operacional, deslocando profissionais, veículos e equipamentos para as áreas mais atingidas.
O planejamento começa antes da ocorrência. A partir das previsões meteorológicas, a companhia pode posicionar equipes previamente em regiões com maior possibilidade de serem afetadas.
“Quando temos uma previsão de um evento climático mais severo, conseguimos antecipar a mobilização das nossas equipes e dos equipamentos. Isso reduz o tempo de deslocamento e permite uma resposta mais rápida”, explicou Dyogenes Rosi.
A operação conta ainda com cerca de 20 centros de operação/distribuição e 71 bases avançadas, além de aproximadamente mil equipes que podem ser mobilizadas de acordo com a necessidade. A estrutura também é apoiada por ações permanentes de manutenção da rede.
Entre as principais causas de interrupção de energia durante temporais está a queda de galhos e árvores sobre a rede elétrica. Para reduzir esse tipo de ocorrência, a EDP mantém um programa permanente de manejo da vegetação.
Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizadas mais de 240 mil podas nos municípios atendidos pela concessionária.
O trabalho é realizado por equipes especializadas e conta com a participação das prefeituras, especialmente em áreas urbanas.
“A prevenção é fundamental. Não esperamos o problema acontecer para agir. O trabalho começa antes, com manutenção, poda, inspeção da rede e preparação das equipes”, destacou a empresa.
Em situações de emergência, a EDP adota critérios de prioridade para direcionar as equipes às ocorrências mais críticas.
Hospitais, unidades de saúde, serviços de segurança pública, escolas, creches, instituições de longa permanência para idosos e locais que apresentem risco à vida estão entre os atendimentos prioritários.
Também recebem atenção especial os consumidores cadastrados que dependem de equipamentos elétricos essenciais para a sobrevivência.
A classificação das ocorrências é feita por diferentes níveis de criticidade, permitindo que os recursos sejam deslocados conforme a gravidade de cada situação.
O chefe da Defesa Civil Estadual, coronel BM Benício Ferrari Junior, chamou atenção para a necessidade de a população estar preparada não apenas para as chuvas fortes, mas também para períodos de estiagem, calor extremo e aumento do risco de incêndios.
“O cenário que estamos enfrentando exige uma preparação cada vez maior. Precisamos trabalhar de forma integrada, porque nenhum órgão consegue responder sozinho a eventos de grande proporção”, afirmou.
Segundo o coronel, a população deve acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil, conhecer as áreas de risco próximas de onde vive e adotar medidas preventivas.
Ele também reforçou a importância de manter documentos, medicamentos e itens essenciais organizados para uma eventual necessidade de deslocamento em situações de emergência.
Durante a coletiva, o prefeito da Serra, Weverson Meireles, destacou a importância da parceria entre o município e a EDP para a prevenção e resposta aos eventos climáticos.
Segundo o prefeito, a Serra foi o primeiro município do Espírito Santo a lançar um plano de contingência e mitigação relacionado aos efeitos do El Niño.
“A Serra foi o primeiro município do Espírito Santo a lançar um plano de contingência e mitigação para os efeitos do El Niño. Isso mostra a nossa preocupação com a prevenção e com a proteção da população”, afirmou Weverson Meireles.
O prefeito também ressaltou que o enfrentamento dos eventos climáticos depende da integração entre poder público, empresas responsáveis por serviços essenciais e órgãos de emergência.
Para Weverson, a parceria com a EDP é estratégica, principalmente diante da possibilidade de ocorrências que possam afetar simultaneamente diferentes regiões do município.
“Precisamos estar preparados antes que o problema aconteça. A integração entre prefeitura, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e a concessionária é fundamental para que a resposta seja rápida e eficiente”, acrescentou.
A Serra também abriga o Centro de Operação Integrado da EDP, estrutura que permite o acompanhamento da rede elétrica em tempo real.
A EDP mantém canais de comunicação com a Defesa Civil estadual e municipais, Corpo de Bombeiros, polícias Militar e Civil e prefeituras.
A proposta é compartilhar informações sobre previsões meteorológicas, ocorrências e áreas afetadas, permitindo que as equipes atuem de forma coordenada.
Em cenários extremos, a companhia pode transferir profissionais de outras regiões para os locais mais atingidos, ampliando a capacidade de atendimento.
O planejamento também prevê simulados e exercícios para testar protocolos de resposta e identificar possíveis pontos de melhoria antes da ocorrência de eventos reais.
Questionado sobre os efeitos das temperaturas elevadas no consumo de eletricidade, Dyogenes Rosi afirmou que a EDP não trabalha, neste momento, com uma previsão de falta de energia causada exclusivamente pelo aumento da demanda durante períodos de calor.
O principal desafio está relacionado aos impactos que eventos climáticos extremos podem provocar sobre a infraestrutura, como quedas de árvores, ventos fortes, alagamentos e danos a equipamentos.
Por isso, a estratégia da empresa está concentrada na prevenção, automação, reforço das equipes e rapidez na recomposição da rede.
A EDP informa que aproximadamente 85% dos atendimentos já são realizados por canais digitais.
Os consumidores podem utilizar o aplicativo EDP Online e os canais digitais da companhia para registrar solicitações e comunicar ocorrências.
Em situações de falta de energia, também estão disponíveis o WhatsApp (27) 99772-2549 e a Central de Atendimento 0800 721 0707.
A recomendação é que o consumidor comunique a falta de energia pelos canais oficiais e não se aproxime de fios partidos, postes danificados ou estruturas elétricas atingidas por árvores.
Com a antecipação do Plano Verão 2026/2027, a EDP pretende atuar de maneira preventiva durante todo o período de maior risco climático.
A estratégia combina previsão meteorológica, manutenção, tecnologia, automação, reforço das equipes e integração com o poder público.
O objetivo, segundo a empresa, é que a rede esteja preparada para responder com rapidez tanto aos eventos de chuva intensa quanto aos períodos de calor e estiagem que poderão ocorrer ao longo dos próximos meses.
“Preparação é a palavra-chave. Quanto mais conseguimos antecipar um cenário, melhor conseguimos posicionar nossas equipes, equipamentos e recursos para atender a população”, resumiu Dyogenes Rosi.
Com investimentos de R$ 5 bilhões previstos até 2030, a EDP aposta na modernização da infraestrutura e na digitalização da rede para aumentar a capacidade de resposta do sistema elétrico capixaba diante de um cenário climático cada vez mais desafiador.
Por: Luciene Costa – Jornalista Revista Ekletica