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Museu Vale abre exposição interativa na Grande Vitória

Museu Vale abre exposição interativa que convida o público a imaginar, sentir e participar

IMAGINALIVRE!, do coletivo OPAVIVARÁ!, ocupa três espaços da Grande Vitória entre agosto e dezembro, com instalações que aproximam arte, convivência e experiências sensoriais

E se um fogão pudesse cantar? E se cadeiras de praia deixassem de ser individuais para se transformar em um espaço coletivo? Ou ainda se as cores pudessem ser percebidas também pelo paladar? É a partir dessas provocações que a exposição IMAGINALIVRE! convida o público a romper com o óbvio e experimentar a arte de uma maneira diferente.

Inédita no Espírito Santo, a mostra gratuita é uma iniciativa do Museu Vale e do Instituto Cultural Vale, com patrocínio da Vale e realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo à Cultura. A exposição reúne obras do coletivo carioca OPAVIVARÁ! e ocupa, entre agosto e dezembro de 2026, três espaços da Grande Vitória, propondo uma experiência coletiva, sensorial e lúdica.

A primeira etapa da mostra acontece na Galeria Gabinete, no Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha, onde permanece até 1º de novembro. O espaço reúne instalações, vídeos e dispositivos relacionais que representam mais de duas décadas de produção do coletivo.

A partir de 8 de outubro, a exposição se amplia para o Parque Botânico Vale e o Parque Costeiro Vale, em Vitória. Nesses locais, duas obras estabelecem novos diálogos com a paisagem natural e permanecem abertas à visitação até 13 de dezembro.

Segundo a diretora do Museu Vale, Claudia Afonso, a exposição foi concebida especialmente para o Espírito Santo e reúne trabalhos que transitam por diferentes linguagens, como instalação, performance, som e participação.

“A mostra parte da ideia da arte como uma experiência relacional, propondo espaços em que corpos, histórias e diferentes maneiras de estar no mundo se encontrem”, afirma.

Na Galeria Gabinete, quatro obras emblemáticas da trajetória do OPAVIVARÁ! estarão em exposição. Uma delas é Karaokente (2025), criada especialmente para uma exposição comemorativa dos 20 anos do coletivo. A instalação transforma um fogão de quatro bocas em um karaokê com quatro microfones, aproximando o universo da cozinha da música e criando uma experiência performática e participativa.

Outra obra em destaque é Sistemar (2019), uma grande rede que também funciona como um sistema sonoro analógico. Inspirada nas redes de pesca e nas questões ambientais, a instalação utiliza garrafas e tampas plásticas para construir uma paisagem sonora. A proposta leva o público a refletir sobre a produção de resíduos e a relação da sociedade com os oceanos.

A exposição também apresenta Espreguiçadeira-multi (2009), obra presente no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). A instalação reúne diversas cadeiras de praia, transformando um mobiliário originalmente individual em um espaço coletivo de descanso, conversa e contemplação.

Já Fonte de refrescos (2015) mistura cores, percepção e sabores em uma experiência inspirada no disco cromático de Newton e nas paisagens tropicais brasileiras.

Completando o conjunto de obras da Galeria Gabinete está Saia Como (2018), uma instalação performática composta por saias feitas de talheres. A obra combina corpo, batuque de cozinha, música e movimento, ampliando as possibilidades de interação entre o público e a arte.

A partir de outubro, a exposição ganha novos contornos nos parques da Vale. No Parque Botânico Vale, a instalação Rede Social (2017) poderá ser visitada de 8 de outubro a 13 de dezembro.

A obra cria um grande espaço coletivo de descanso, no qual o balanço das redes e o som dos chocalhos remetem ao movimento das águas. A proposta estimula a pausa, a convivência e a troca entre pessoas que, muitas vezes, não se conhecem.

Inspirada na tradição brasileira das redes, a instalação convida o público a experimentar o contato corporal e sensorial e a redescobrir o prazer de simplesmente estar junto.

No Parque Costeiro Vale, também entre 8 de outubro e 13 de dezembro, a obra Espreguiçadeira-multi ganha uma nova leitura ao ocupar uma área aberta. A instalação reforça a vocação litorânea do trabalho e convida os visitantes a desacelerar, compartilhar o espaço e experimentar o ócio como uma possibilidade de encontro.

Para Claudia Afonso, a exposição busca justamente diluir as fronteiras tradicionais entre obra e visitante, espetáculo e espectador.

“Em sintonia com o momento extramuros do Museu Vale, a exposição amplia o alcance da arte para além das paredes. IMAGINALIVRE! é um convite para experimentar outras formas de invenção do cotidiano. Entre descanso e movimento, conversa e celebração, a exposição propõe percursos de troca e descoberta nos quais a arte se constrói na relação entre pessoas, lugares e vivências. Um espaço para imaginar juntos e perceber, nos gestos mais simples, outras maneiras de habitar o mundo”, destaca.

Criado em 2005, no Rio de Janeiro, o OPAVIVARÁ! é um coletivo de arte que desenvolve intervenções em espaços públicos, galerias e instituições culturais. O grupo propõe novas formas de ocupação e convivência por meio de dispositivos relacionais e experiências coletivas.

Com atuação no circuito da arte contemporânea no Brasil e no exterior, o coletivo tem a participação do público como elemento central de suas obras. A proposta é estimular encontros, questionar formas tradicionais de vivenciar a cidade e transformar o visitante em parte da própria experiência artística.

Em seu momento extramuros, o Museu Vale amplia sua atuação e leva manifestações artísticas e programas educativos para praças, parques, escolas e outras instituições culturais. A iniciativa permite alcançar novos públicos e diferentes municípios do Espírito Santo.

A atuação mantém o compromisso com a preservação da memória cultural e com o desenvolvimento de ações de pesquisa, educação, comunicação e formação, valorizando também a produção cultural capixaba.

Entre as exposições mais recentes realizadas pelo Museu Vale estão “Línguas Africanas que fazem o Brasil”, “Quebra-mapa”, “Quem Tem Medo de Bicho Pau?”, “Vidas em Cordel”, “Transitar o Tempo”, “Folhear”, “O Extraordinário Universo de Leonardo Da Vinci”, “Memórias do Futuro – Um olhar sobre a coleção do IHGB” e “De onde surgem os Sonhos – Coleção Andrea e José Olympio Pereira”. Juntas, as mostras reuniram mais de 220 mil visitantes.

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