Ministério Público pede cancelamento de pesquisa eleitoral no Espírito Santo por suposta manipulação
Uma pesquisa eleitoral divulgada no Espírito Santo está no centro de uma polêmica envolvendo suposta manipulação de dados e possível impacto no processo democrático. O Ministério Público Eleitoral pediu o cancelamento total do levantamento realizado pelo Instituto Verta, alegando que os números apresentados estariam distorcidos da realidade e poderiam influenciar indevidamente o eleitorado capixaba.
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O levantamento, divulgado no fim de março e reproduzido por diversos sites de notícias do Estado, apontava vantagem do ex-prefeito Vitório Lourenço Pasolini. No entanto, segundo o parecer do Ministério Público, a metodologia utilizada teria favorecido diretamente o candidato ao concentrar grande parte das entrevistas em regiões consideradas redutos eleitorais do ex-prefeito.
De acordo com o órgão, das 1.220 entrevistas realizadas, mais de 40% ocorreram apenas em Vitória, embora a capital represente cerca de 9% do eleitorado estadual. Para os promotores, isso teria dado um peso desproporcional à cidade, ampliando artificialmente a vantagem apresentada na pesquisa.
O parecer também destaca que municípios com grande densidade eleitoral, como Serra e Vila Velha, ficaram fora do levantamento, o que reforçaria a tese de distorção dos resultados. O documento classifica a situação como uma “manipulação flagrante”, apontando risco real ao equilíbrio democrático e à formação da opinião pública.
Diante das irregularidades apontadas, o Ministério Público solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral três medidas principais: o cancelamento da pesquisa, a proibição de nova divulgação dos dados e a aplicação de multa superior a R$ 100 mil ao Instituto Verta.
O caso reacende o debate sobre o impacto das pesquisas eleitorais na decisão do voto e sobre a necessidade de transparência e rigor metodológico durante o período eleitoral.