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Gripe pode provocar infarto, AVC e pneumonia; especialista alerta para riscos da influenza

Embora seja frequentemente encarada como uma doença comum, a gripe pode desencadear complicações graves e até fatais, principalmente entre idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Além de afetar o sistema respiratório, o vírus influenza provoca uma intensa resposta inflamatória no organismo, capaz de agravar problemas de saúde já existentes e aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e pneumonia.

O alerta ganha ainda mais importância diante do aumento dos casos graves de influenza registrados no Espírito Santo. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que a maior parte das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo vírus neste ano ocorreu entre pessoas que não haviam sido vacinadas. As mortes também se concentraram, principalmente, entre idosos.

De acordo com a pneumologista e médica do sono Dra. Jéssica Polese, um dos maiores equívocos é acreditar que os efeitos da gripe se limitam aos pulmões.

“A influenza provoca uma resposta inflamatória importante em todo o organismo. Em pessoas jovens e saudáveis, essa reação costuma ser controlada. Já em quem convive com doenças cardíacas, diabetes, problemas pulmonares ou possui imunidade mais fragilizada, essa inflamação pode romper um equilíbrio que vinha sendo mantido. Muitas vezes, o paciente não é internado apenas pela ação do vírus, mas porque a infecção agravou uma condição preexistente”, explica.

Segundo a especialista, durante a infecção o organismo passa a exigir mais do coração e dos vasos sanguíneos, além de comprometer os mecanismos naturais de defesa. Esse cenário favorece o surgimento de pneumonias, tanto causadas pelo próprio vírus quanto por infecções bacterianas oportunistas.

Além das complicações respiratórias, a influenza também pode desencadear problemas cardiovasculares. Estudos científicos mostram que o risco de infarto aumenta nos dias seguintes ao diagnóstico da gripe, assim como a ocorrência de AVC em pacientes com fatores de risco.

Para Jéssica Polese, a infecção funciona como um gatilho para doenças que, muitas vezes, permaneciam silenciosas.

“A gripe pode descompensar doenças que estavam controladas e revelar vulnerabilidades que o paciente sequer sabia que tinha. Por isso, é fundamental acompanhar a evolução dos sintomas e buscar atendimento diante de qualquer sinal de piora.”

Nos idosos, os sintomas nem sempre seguem o padrão clássico da gripe. Em vez de febre alta, dores no corpo e tosse intensa, é comum que o quadro se manifeste com sonolência excessiva, confusão mental, perda de apetite ou piora repentina do estado geral.

Segundo a médica, essa apresentação atípica pode retardar o diagnóstico e comprometer o tratamento.

“Muitas famílias acreditam que o idoso está apenas mais cansado ou indisposto, quando ele já pode estar desenvolvendo uma complicação importante. Qualquer mudança significativa durante um quadro gripal merece avaliação médica, especialmente entre pacientes mais vulneráveis.”

Além dos idosos, a atenção deve ser redobrada entre pessoas com asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, diabetes, doença renal e gestantes. Nesses grupos, o acompanhamento médico desde os primeiros sintomas é essencial para evitar a evolução para quadros graves.

A pneumologista reforça que a vacinação permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir hospitalizações, complicações e mortes causadas pela influenza. No entanto, ela destaca que reconhecer precocemente os sinais de agravamento também pode salvar vidas.

“A vacina continua sendo a medida mais eficaz para prevenir as formas graves da doença, mas ela não substitui a atenção aos sintomas. Quando há falta de ar, piora do estado geral, dificuldade para realizar atividades simples ou uma recuperação que não acontece como esperado, é importante procurar assistência médica. Na influenza, agir cedo pode evitar que uma infecção respiratória evolua para um quadro muito mais grave”, conclui a Dra. Jéssica Polese.

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