Tosse não é um sintoma simples: especialista alerta para riscos da automedicação
A recente decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir medicamentos à base de clobutinol reacendeu um alerta importante sobre os riscos da automedicação, especialmente no tratamento da tosse. Considerado por muitos apenas um incômodo passageiro, o sintoma pode esconder doenças respiratórias e até problemas mais graves quando tratado sem orientação médica.
Presente na rotina de milhares de brasileiros, a tosse costuma ser combatida rapidamente com xaropes e medicamentos vendidos nas farmácias. No entanto, segundo a pneumologista Jéssica Polese, o hábito de tentar silenciar o sintoma sem investigar sua causa pode trazer consequências preocupantes.
“A tosse é um sinal de que algo não está bem. Quando a pessoa tenta apenas bloqueá-la com um xarope, pode estar deixando de investigar a causa”, explica a especialista.
De acordo com a médica, a tosse pode estar relacionada a diferentes condições de saúde, desde alergias e infecções virais até doenças respiratórias mais complexas, como asma, bronquite e até alterações pulmonares que exigem tratamento específico.
A discussão ganhou ainda mais força após a retirada do mercado de medicamentos contendo clobutinol, substância encontrada em alguns xaropes e associada a riscos cardíacos. Para Jéssica Polese, a decisão da Anvisa reforça a necessidade de cautela no uso de medicamentos aparentemente simples.
“Nem tudo que parece simples é inofensivo. A gente precisa avaliar sempre o risco e o benefício antes de indicar qualquer tratamento”, afirma.
A pneumologista destaca ainda que a duração e a intensidade da tosse são fatores importantes de atenção. Embora muitos quadros sejam passageiros e desapareçam naturalmente, alguns sinais não devem ser ignorados.
“Quando a tosse persiste por mais de três semanas, piora com o tempo, vem acompanhada de falta de ar, chiado ou febre, é fundamental buscar avaliação médica”, orienta.
Além dos impactos respiratórios, a especialista ressalta que a tosse também pode comprometer significativamente a qualidade de vida, afetando o sono, a rotina de trabalho, o convívio social e até a saúde emocional dos pacientes.
Diante desse cenário, a principal recomendação é evitar a automedicação e buscar orientação profissional para identificar a origem do sintoma.
“Nem sempre o foco deve ser interromper a tosse, mas entender por que ela está acontecendo. Esse é o caminho mais seguro e eficaz”, reforça Jéssica Polese.
A pneumologista segue à disposição para entrevistas e esclarecimentos sobre os riscos da automedicação, além de outros temas relacionados à saúde respiratória.