Cidade Economia Geral

Emendas parlamentares no ES terão regras mais rígidas para liberação de recursos

Projeto aprovado pela Assembleia Legislativa estabelece prazo de 30 dias para apresentação de plano de trabalho e prevê medidas de transparência, rastreabilidade e fiscalização do dinheiro público

Os beneficiários de emendas parlamentares estaduais no Espírito Santo poderão ter novas exigências para receber recursos públicos. O Projeto de Lei Complementar (PLC) 28/2026, aprovado pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) no dia 20 de outubro, estabelece regras para a destinação e a execução das emendas parlamentares individuais de execução obrigatória, conhecidas como emendas impositivas.

De autoria da Mesa Diretora da Ales, a proposta determina que os beneficiários apresentem um plano de trabalho detalhado em até 30 dias após a publicação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. O documento deverá especificar como os valores recebidos serão aplicados.

O projeto ainda aguarda posicionamento do governo estadual e, portanto, não está em vigor.

Além da apresentação do plano de trabalho, o texto estabelece prazos para que o Poder Executivo analise os documentos e para que sejam corrigidos eventuais impedimentos técnicos que possam comprometer a transferência dos recursos.

O prazo total previsto para esses procedimentos é de até 120 dias. Caso as pendências identificadas não sejam resolvidas dentro das condições estabelecidas, a emenda poderá perder o caráter de execução obrigatória, impedindo a liberação dos valores.

A medida busca estabelecer procedimentos mais claros para a execução das emendas e ampliar o controle sobre a utilização dos recursos públicos destinados a órgãos estaduais, municípios e organizações da sociedade civil.

O PLC 28/2026 também prevê mecanismos para facilitar o acompanhamento da aplicação do dinheiro público. Cada emenda deverá contar com identificação individualizada, permitindo rastrear os valores desde a destinação até a execução.

Entre as medidas previstas estão a divulgação de informações em portal público, com atualização mensal, e o envio de relatórios trimestrais à Assembleia Legislativa.

Outra exigência é que os recursos transferidos a municípios e entidades sejam movimentados em contas bancárias específicas, o que deverá contribuir para a identificação das operações financeiras e para a fiscalização da aplicação dos valores.

Com 26 artigos, a proposta também disciplina os procedimentos de prestação de contas e fiscalização dos recursos destinados aos beneficiários.

O projeto estabelece que os municípios beneficiados não precisarão oferecer contrapartida financeira para receber os recursos das emendas, exceto quando houver previsão no respectivo plano de trabalho.

A proposta pretende organizar os procedimentos de execução das emendas parlamentares estaduais, estabelecendo obrigações para os beneficiários e mecanismos de controle para o acompanhamento da aplicação dos recursos.

As novas regras, entretanto, somente poderão ser exigidas após a conclusão da tramitação e a entrada em vigor da norma.

Leia também